Museu Americano de História Natural aberto ao público em 9 de setembro de 2020, em Nova York ( AFP / Timothy A. Clary)

A Polícia de Nova York não prendeu uma criança por não comprovar vacinação contra a covid-19

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Um vídeo de uma menina sendo escoltada por policiais somou mais de 148 mil interações nas redes sociais desde 23 de janeiro de 2022. Os usuários afirmam que a criança foi presa no Museu de História Natural de Nova York por se recusar a mostrar seu certificado de vacinação contra a covid-19. Mas isso é falso. O Departamento de Polícia de Nova York e o museu disseram à AFP que ela foi levada ao local por adultos que protestavam contra a exigência da imunização na cidade. Os manifestantes foram detidos, por se recusarem a sair do museu no horário de fechamento, mas a garota foi apenas escoltada para fora do prédio, detalharam.

“Em Nova York, uma garotinha de 9 anos de idade foi presa por não ter passaporte da vac*ina. Não é por Saúde, é por controle!”, diz uma publicação compartilhada no Instagram (1, 2, 3). O mesmo vídeo circula no Facebook (1, 2, 3) e no Twitter (1, 2, 3).

Captura de tela feita em 25 de janeiro de 2022 de uma publicação no Twitter ( . / )

Conteúdo semelhante também circulou em espanhol (1, 2, 3) e em inglês.

A cidade de Nova York exige a comprovação de vacinação contra a covid-19 para refeições em ambientes fechados, academias e locais como museus. Tais certificados geraram controvérsia e provocaram protestos na cidade e em outros lugares nos Estados Unidos.

A criança, no entanto, não foi presa, e a polícia não foi chamada porque ela não apresentou o comprovante de vacinação.

O sargento da polícia de Nova York Edward Riley disse à AFP que seis manifestantes e uma menina foram impedidos de entrar no museu em 19 de janeiro de 2022 por se recusarem a comprovar a vacinação contra a covid-19.

Os manifestantes, então, “permaneceram no saguão do museu e se recusaram a sair”, disse Riley. Ele afirmou também que essas pessoas ficaram no local além do horário de fechamento, às 17h30.

Nesse momento, “os policiais foram chamados ao local e prenderam os manifestantes aproximadamente às 18h por se recusarem a deixar a propriedade quando solicitados, de acordo com a lei, por funcionários do museu e pelo Departamento de Polícia de Nova York devido ao fechamento do museu”.

A criança não foi presa, disse Riley: “Um dos manifestantes estava com sua filha. Nenhuma ação policial foi tomada contra ela”.

Um vídeo publicado no Twitter por uma conta que diz estar “reportando sobre o movimento contra a obrigatoriedade [da vacina] em Nova York” mostra que os adultos estavam algemados ao serem retirados do museu, mas não a menina.

Riley afirmou: “Os seis manifestantes e a filha foram levados à 20ª Delegacia, onde os seis manifestantes receberam uma intimação por invasão e foram liberados”.

Anne Canty, vice-presidente sênior do Museu de História Natural, confirmou essa versão.

“Na hora de fechar, eles [os manifestantes] se recusaram a sair e foram detidos pelo Departamento de Polícia de Nova York e escoltados para fora do Museu. Entre o grupo estava uma criança, que não foi presa”, disse à AFP.

Canty afirmou que os manifestantes chegaram ao museu entre 14h e 15h, sugerindo que permaneceram no saguão por até três horas antes de serem removidos pela polícia.

O New York Freedom Rally, uma organização que se descreve como formada por “cidadãos pelo consentimento informado”, referiu-se aos manifestantes como seus “combatentes pela liberdade” em uma publicação no Facebook, mas não confirmou à AFP se o grupo era afiliado à organização.

Em outra publicação, a organização lamentou a detenção temporária dos manifestantes e especificou que a criança foi escoltada em outro veículo.

Outras verificações da AFP sobre a pandemia de covid-19 e vacinas podem ser vistas aqui.

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