Vídeo compara votos de seções diferentes para apontar divergência entre site do TSE e boletim de urna

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Um vídeo em que um homem denuncia supostas divergências entre o registro de votos de uma mesma seção eleitoral no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no boletim de urna foi compartilhado mais de 15 mil vezes em redes sociais desde meados de novembro. “Irrefutável a fraude”, diz uma das postagens, sobre a eleição municipal brasileira deste ano. Isso é falso. O vídeo compara seções eleitorais de mesmo número, mas localizadas em zonas diferentes. As informações do boletim de urna exibido na gravação são as mesmas disponíveis no site do TSE.

No vídeo, de 2:42, um homem consulta os votos registrados para candidatos a vereadores do PSDB em Rio Branco, no Acre, na versão para celulares do portal Resultados do TSE. “Já marcamos a zona e vamos na seção 368 [...]. Vamos ver aqui, Pang Rocha, 1 voto. E o candidato Alex Souza, 1 voto”, relata.

Em seguida, apresenta um boletim de urna que afirma ser da mesma seção eleitoral. “Agora vamos pegar o boletim da urna de novo por favor. Da mesma urna que a gente acabou de filmar. Tá aí na 368, bem nítido aí. [...] Como você pode ver naquela urna lá o candidato Pang Rocha teve apenas 1 voto e aqui ele aparece com 4. E o Alex Souza nem aparece. Devemos ter providências”, compara.

O vídeo circulou amplamente desde 20 de novembro, cinco dias após o primeiro turno das eleições municipais, somando mais de 137 mil visualizações no Facebook (1, 2, 3) e Twitter.

“Prova concreta de fraude cometida pelo TSE! O boletim impresso da urna mostra uma coisa e o sistema oficial do TSE outra muito diferente! Vão para as ruas protestar com toda a força”, diz uma das publicações que acompanham o vídeo.

Captura de tela feita em 23 de novembro de 2020 de uma publicação no Facebook

Para garantir a transparência dos pleitos, as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil realizam automaticamente a apuração após uma eleição, emitindo um boletim que contabiliza o total de votos registrados naquela máquina por partido, candidato, em branco ou nulos.

Uma cópia deste documento é afixada na seção eleitoral, podendo ser consultada por qualquer um, e outra é entregue aos fiscais de partido que solicitarem. Posteriormente, essas informações são disponibilizadas no site do TSE.

O vídeo viralizado compara, contudo, o registro de votos de duas seções eleitorais distintas, a 1ª e a 9ª de Rio Branco.

Aos 27 segundos da gravação é possível ver que as informações consultadas no site do TSE correspondem à seção 368, da zona eleitoral 9 de Rio Branco. Já o boletim de urna exibido é o da seção 368, da zona eleitoral 1 da mesma cidade, como visto no minuto 1:40 do vídeo.

O código de identificação das urnas comparadas também é diferente: 1134657, no celular, e 01099251, no boletim impresso.

Comparação feita em 23 de novembro de 2020 de trechos diferentes de vídeo publicado no Facebook

Como explica o TSE, a seção eleitoral é o local específico onde fica instalada uma urna eletrônica e onde os eleitores votam no dia do pleito. Já a zona eleitoral é a região geograficamente delimitada dentro de um estado, que contém múltiplas seções eleitorais.

O estado do Acre é dividido em 9 zonas eleitorais, duas das quais ficam localizadas em Rio Branco: a 1ª, que inclui parte do município de Porto Acre; e a 9ª, que engloba o município de Bujari.

Uma consulta no site do TSE permite confirmar que as informações da seção 368 da 1ª zona eleitoral, exibidas no boletim de urna durante o vídeo, são as mesmas disponibilizadas on-line. 

Comparação feita em 24 de novembro de 2020 de boletim de urna visto em vídeo no Facebook e de votos da mesma urna registrados no site do TSE

O AFP Checamos já verificou outras alegações que colocavam em dúvida a integridade das eleições municipais de 2020.

Esse conteúdo também foi checado pelas equipes do Aos Fatos, Agência Lupa e e-Farsas.

Em resumo, é falso que um vídeo mostre divergências entre os registros de votos de uma mesma seção eleitoral no site do TSE e no boletim de urna impresso. Na gravação viralizada, são comparadas seções de mesmo número, mas de zonas eleitorais diferentes.

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