São Paulo não teve 61,09% de abstenções, votos brancos e nulos no segundo turno de 2020

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Duas tabelas que indicam que 61,09% dos eleitores aptos de São Paulo optaram por se abster, votar em branco ou nulo no segundo turno das eleições municipais - superando o percentual de votos recebidos pelos dois candidatos que disputaram a Prefeitura da cidade - foram compartilhadas centenas de vezes em redes sociais desde o fim de novembro. Os números viralizados são, contudo, falsos. As abstenções, brancos e nulos somam, na verdade, 40,6% das escolhas em São Paulo, contra 59,4% de votos em Bruno Covas e Guilherme Boulos juntos.

Compartilhadas mais de 1.300 vezes no Facebook (1, 2, 3) e Twitter desde 30 de novembro, as duas tabelas apresentam os mesmos dados, supostamente referentes ao pleito: 5.337.230 votos brancos, 273.216 votos nulos, 2.769.179 abstenções, 3.169.121 votos para o candidato do PSDB e prefeito eleito, Bruno Covas, e 2.168.109 votos para o candidato do PSOL, Guilherme Boulos.

“O resultado que a imprensa não mostra. E o Dória ainda acha que a população de SP aprova o seu governo”, diz o texto que acompanha uma das tabelas, em referência ao governador de São Paulo e importante aliado de Bruno Covas, João Doria (PSDB). 

Captura de tela feita em 1º de dezembro de 2020 de uma publicação no Facebook

Os números de votos brancos e nulos viralizados são, contudo, falsos, tornando incorretos todos os percentuais calculados nas tabelas.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram registrados 273.216 votos em branco no segundo turno das eleições municipais de São Paulo, e não 5.337.230. Já os votos nulos foram 607.062, e não 273.216.

Captura de tela feita em 2 de dezembro de 2020 do portal de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

As publicações viralizadas levam em consideração o total de eleitores aptos para votar no município de São Paulo. Segundo dados do TSE, são 8.986.687, sendo que 2.769.179 se abstiveram este ano. Esse é o mesmo número citado na tabela, mas o percentual é diferente: 30,81%.

Já o percentual de votos em branco segundo o total de eleitores aptos corresponde a aproximadamente 3,04% e o de votos nulos, 6,75%.

Somados, os votos brancos, nulos e as abstenções correspondem à escolha de 40,6% dos eleitores registrados de São Paulo, e não de 60,09%, como alegado nas redes.

O percentual de eleitores que votaram em Covas e Boulos também é diferente, correspondendo a 35,26% e 24,12%, respectivamente, e não a 23,10% e 15,81%, como dizem as tabelas das publicações viralizadas.

Abaixo, uma comparação entre os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as informações incorretas viralizadas nas redes:

Como demonstrado acima, a soma de abstenções, brancos e nulos realmente supera os votos recebidos pelo prefeito eleito de São Paulo, Bruno Covas, mas a diferença é consideravelmente inferior à citada nas redes. Além disso, não é verdade que esse número também seja maior do que a soma dos votos de Covas e Boulos juntos, como também alegam as tabelas.

Outro indício de que as tabelas viralizadas são falsas é que a soma de todas as opções dá 13.716.855, número superior ao de eleitores registrados em São Paulo, mas também maior do que população total do município, estimada em 12.325.232 pessoas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse conteúdo também foi verificado pela equipe da Agência Lupa.

Em resumo, é falso que 61,09% dos eleitores aptos de São Paulo optaram por se abster, ou votar em branco ou nulo no segundo turno das eleições municipais de 2020, e que a soma destas três categorias é superior à votação somada de Covas e Boulos. O percentual verdadeiro é de 40,6%, contra 59,4% dos candidatos do PSDB e do PSOL.

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