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A notícia sobre a viagem cancelada do CEO da Pfizer é anterior à sua vacinação completa

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Publicações alegando que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, não está totalmente vacinado baseadas em um link para uma notícia de um jornal israelense, foram visualizadas mais de 3,9 mil vezes nas redes sociais desde 5 de agosto de 2021. No entanto, o artigo foi escrito antes que o chefe da empresa farmacêutica recebesse a segunda dose da vacina contra covid-19, no último dia 10 de março. O laboratório confirmou à AFP que o executivo está totalmente imunizado.

“O CEO da Pfizer teve que cancelar uma viagem planejada para Israel pq ele não foi totalmente vacinado. Deixe-me repetir: PORQUE ELE NÃO FOI VACINADO", diz uma das publicações compartilhadas no Facebook (1, 2), no Instagram (1, 2) e no Twitter.

Conteúdo semelhante também foi veiculado em inglês e espanhol.

Captura de tela feita em 20 de setembro de 2021 de uma publicação no Facebook ( . / )

Várias publicações replicam ou mostram a captura de telade um tuíte de Emerald Robinson, uma correspondente do Newsmax, veículo de comunicação que já difundiu desinformação verificada pela AFP. A postagem de Robinson sobre Bourla, feita em 5 de agosto e compartilhada mais de 19.000 vezes, inclui um link para uma notícia do jornal The Jerusalem Post com o título, escrito em inglês, "CEO da Pfizer cancelou sua visita a Israel porque não foi totalmente vacinado".

Segundo a nota jornalística, publicada em 7 de março de 2021, Albert Bourla iria ao Estado judeu naquele mês com uma delegação, mas adiou a visita porque ainda não havia recebido a segunda dose da vacina. O Jerusalem Post citou o meio de comunicação israelense N12 como a fonte de suas informações.

O CEO da Pfizer havia dito em uma entrevista ao canal norte-americano CNBC em dezembro de 2020 que gostaria de ser vacinado assim que chegasse a sua vez. Na ocasião, ele explicou que, segundo levantamento feito pelo próprio grupo farmacêutico, mais pessoas aceitariam a vacina se vissem que, além de líderes mundiais, o CEO e os funcionários da empresa a receberam. “Com isso em mente, procuro um jeito de me vacinar, mesmo que não seja a minha vez, somente para demonstrar a confiança da empresa. (...) Mas nenhum dos executivos ou membros do conselho vai furar fila, eles serão vacinados quando chegar a sua vez”, garantiu.

Em outra entrevista, desta vez ao canal de televisão CNN, transmitida em 14 de dezembro de 2020 (três dias após as autoridades norte-americanas autorizarem a vacina da Pfizer), Bourla informou que ainda não havia sido vacinado e que seguia as recomendações de imunização dos Centros de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos, que estabeleceu a prioridade de determinados grupos de risco.

Meses depois, Andrew Cuomo, na época governador de Nova York, onde Bourla reside, anunciou que a partir de 23 de março "nova-iorquinos com 50 anos ou mais" seriam imunizados. No entanto, antes dessa data, em 10 de março de 2021, o CEO da Pfizer tuitou uma foto sendo vacinado com a segunda dose.

"Posso confirmar que Albert Bourla está totalmente vacinado", disse a porta-voz da Pfizer, Faith Salamon, à AFP.

Não há evidências de que Bourla tenha visitado Israel entre março e agosto de 2021. No entanto, há registros de que ele fez pelo menos duas viagens internacionais nesse período: à Bélgica em abril e ao Reino Unido em junho.

Emerald Robison escreveu um novo tuíte, com uma "atualização" do conteúdo, informando que Bourla está totalmente vacinado, sem, contudo, ter excluído o tuíte anterior.

Esta não é a primeira vez que informações incorretas circulam sobre o diretor da Pfizer. Em abril de 2021, a AFP verificou a alegação de que Bourla não queria receber sua própria vacina.

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