O diretor da Pfizer disse que esperaria sua vez e completou sua vacinação em 10 de março de 2021

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Publicações compartilhadas centenas de vezes em redes sociais desde o último dia 8 de julho asseguram que Albert Bourla, diretor executivo da farmacêutica Pfizer, “não tomou a própria vacina” contra a covid-19. A alegação se baseia, no entanto, em uma entrevista concedida em dezembro de 2020, quando Bourla explicou que aguardaria a vez de sua faixa etária para ser imunizado. O executivo assegurou ter recebido a segunda dose da vacina contra a doença em 10 de março de 2021.

“Presidente da Pfizer não tomou a própria vacina; ‘tenho boa saúde’, alegou”, diz o título de um artigo de 8 de julho de 2021, cuja captura de tela circula amplamente no Facebook (1, 2, 3) e Twitter.

Uma busca no Google pela chamada da matéria mostra que o texto foi publicado pelo site Brasil Sem Medo, mas que não estava mais disponível em 12 de julho de 2021. A equipe de checagem da AFP localizou, contudo, a versão salva em cache pelo Google.

“CEO da farmacêutica justificou dizendo que é ‘saudável’ e tem 59 anos, não se encaixando no público a quem é recomendada a vacina experimental”, diz o subtítulo da matéria. O corpo do texto não pode ser lido porque é limitado para assinantes do site.

Captura de tela feita em 12 de julho de 2021 de uma publicação no Facebook

Outras versões das publicações (1, 2) compartilham o vídeo onde o diretor executivo da Pfizer, Albert Bourla, dá declarações semelhantes às citadas no título e subtítulo do artigo do Brasil Sem Medo.

Vídeo antigo

Na gravação de 29 segundos compartilhada nas redes, uma apresentadora pergunta a Bourla quando ele vai se vacinar, ao que o executivo responde, em inglês: “Assim que puder, eu irei”.

Bourla desenvolve a resposta, assegurando: “A única sensibilidade aqui é que eu não quero dar o exemplo de que estou furando a fila. Eu tenho 59 anos, com boa saúde. Eu não estou trabalhando na linha de frente. Então, para o meu perfil, não é recomendado”.

A fala do executivo não é, contudo, atual. Uma busca no Google mostra que o trecho viralizado faz parte de uma entrevista concedida ao canal norte-americano CNBC e publicada no YouTube em 14 de dezembro de 2020.

Na entrevista completa, na qual foi perguntando sobre as dúvidas que o público poderia ter sobre o imunizante, Bourla explicou que, segundo uma pesquisa realizada pela Pfizer, mais pessoas aceitariam a vacina se vissem que o diretor executivo e a equipe da empresa também a haviam recebido.

“Com isso em mente, estou tentando encontrar uma maneira de ser vacinado mesmo que não seja meu momento, apenas para demonstrar a confiança da empresa [...] Mas, nenhum dos executivos ou membros do conselho irão furar a fila, eles tomarão quando for o momento de acordo com sua idade e ocupação”, disse.

As declarações de Bourla também foram tiradas de contexto em publicações em inglês e espanhol.

Em outra entrevista ao canal de televisão CNN, também publicada em 14 de dezembro, apenas três dias após as autoridades norte-americanas aprovarem o uso de emergência da vacina da Pfizer, Bourla reiterou que ainda não havia se vacinado e que estava seguindo as recomendações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), que prioriza determinados grupos de risco.

Segundo o CDC, as vacinas contra o SARS-CoV-2 devem ser administradas primeiro aos profissionais de saúde e aos moradores de centros de cuidado de longo prazo, depois aos trabalhadores essenciais da linha de frente -, como por exemplo bombeiros ou policiais, - e a pessoas com 75 anos ou mais.

As pessoas de 65 a 74 anos seriam as próximas, junto com as pessoas de 16 a 64 anos com condições médicas de risco e outros trabalhadores essenciais.

Em 10 de março de 2021, Bourla tuitou uma foto em que era vacinado. “Animado por receber minha 2ª dose da vacina Pfizer/BioNtECH. Não há nada que eu queira mais do que que meus entes queridos e as pessoas ao redor do mundo tenham a mesma oportunidade. Embora a jornada esteja longe de terminar, estamos trabalhando incansavelmente para derrotar o vírus”, diz o tuíte, em inglês.

Durante a primeira semana de março, alguns meios de comunicação (1, 2) reportaram que o executivo já havia recebido a primeira dose. A equipe de checagem da AFP não encontrou nenhum registro do momento em que foi administrada.

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