Vacina japonesa contra a dengue tomada por Lula é oferecida no SUS desde 2024 e é anterior à do Butantan

Em 8 de junho de 2026, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. Desde então, publicações com mais de 500 mil visualizações alegam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomou a vacina japonesa Qdenga, que o governo teria deixado de comprar para priorizar o imunizante nacional. Na verdade, Lula recebeu a Qdenga em uma clínica particular em 5 de fevereiro de 2024. A vacina passou a ser oferecida no SUS três dias depois e continua disponível. Já o imunizante do Butantan chegou à rede pública em 2026.

Lula toma imunizante japonês em clínica privada; para o povão, fica a ‘vacina’ com risco de morte”, lê-se em conteúdos compartilhados no Instagram, no X, no Kwai, no TikTok e no Threads. A alegação também foi compartilhada pelo deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos-RS). 

Outras publicações afirmam ainda que Lula “deixou de comprar a vacina japonesa” para “apostar na versão brasileira”.

O conteúdo começou a circular após o Ministério da Saúde anunciar, no último dia 8 de junho, a suspensão temporária da vacina contra a dengue fabricada pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada por precaução até a conclusão da investigação de 42 reações raras e 2 mortes que podem estar associadas ao imunizante. Esses casos correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio.

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Capturas de tela feita em 12 de junho de 2026 de uma publicação no Instagram (E) e no Facebook (.)

Entretanto, a vacina que Lula tomou está disponível no SUS desde fevereiro de 2024, dois anos antes do início da oferta do imunizante do Butantan.

Entenda

As publicações se baseiam em uma matéria da Folha publicada em junho de 2024. Segundo a apuração do jornal, o presidente Lula havia se vacinado com o imunizante japonês Qdenga em 5 de fevereiro daquele ano em uma clínica particular. Naquela data, a vacina ainda não estava disponível no SUS e só seria liberada 3 dias depois, em 8 de fevereiro (1, 2).

O público-alvo da Qdenga naquele momento eram crianças de 10 a 11 anos, com previsão de avançar a faixa etária progressivamente, assim que novos lotes fossem entregues pela fabricante Takeda. Atualmente, o imunizante continua sendo oferecido para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Já a vacina do Butantan só chegou à rede pública no início de 2026, com aplicação limitada para avaliação do impacto na transmissão da doença. Ela era destinada somente a profissionais da atenção primária à saúde e à população geral de 15 a 49 anos de três cidades-piloto — Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) — e da região de Araguaína (TO).

Referência

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