Registros de “ritual canibal” de Jeffrey Epstein foram gerados por IA

  • Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 16:22
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

A divulgação de novos arquivos sobre o caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein pelo governo dos Estados Unidos continua gerando desinformação. Desde 7 de fevereiro de 2026, registros de um suposto “ritual de canibalismo” que teria sido praticado por Epstein junto com outras pessoas influentes do país, como o magnata Bill Gates e o ex-presidente Bill Clinton, passaram a circular nas redes sociais somando mais de 2 mil interações. Mas as imagens foram geradas com uso de inteligência artificial (IA).

“Nesta foto aparecem com Epstein autoridades e pessoas influentes( ex presidente Bill Klinton, e sua esposa Hillary,  Bill Gate) participando de um ritual macabro”, diz uma das publicações que circulam no Facebook e no X.

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Captura de tela feita em 13 de fevereiro de 2026 de uma publicação no X. Símbolo de inteligência artificial (Ai) acrescentado pela AFP (.)

Os registros virais parecem mostrar Jeffrey Epstein ao lado de personalidades como o magnata Bill Gates, o físico Stephen Hawking e o ex-presidente democrata Bill Clinton. Todos supostamente vestem trajes vermelhos e interagem com elementos como bodes e cadáveres. 

Em 30 de janeiro de 2026, o governo norte-americano divulgou mais de três milhões de novos documentos sobre o caso Epstein mencionando figuras públicas importantes do país, incluindo Clinton e Gates, assim como o atual presidente norte-americano, Donald Trump. 

A mera menção de uma pessoa nos arquivos não implica, necessariamente, em uma prova de envolvimento nos crimes praticados por Epstein, que se suicidou na prisão enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores . No entanto, os documentos contribuíram para mostrar conexões entre o empresário e algumas figuras públicas que frequentemente minimizaram ou até negaram a existência de qualquer ligação. 

Mas não é verdade que as imagens compartilhadas nas redes sejam registros autênticos revelados pelo governo dos EUA.

Uma pesquisa por palavras-chave no Google relacionando o nome do empresário aos termos “ritual macabro” e “canibalismo” não levou a nenhum resultado confiável mencionando a suposta revelação nos arquivos do caso Epstein.

Uma busca reversa pelas imagens tampouco levou a registros correspondentes. Mas uma consulta à seção Sobre esta Imagem, disponível na mesma busca, exibiu a mensagem de que o material foi criado com a IA do Google. 

O AFP Checamos realizou o mesmo procedimento em todas as imagens, que exibiram a mesma indicação.

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Comparação feita em 18 de fevereiro de 2026 da mensagem exibida na seção “Sobre esta Imagem” do Google. Símbolos de inteligência artificial (Ai) acrescentados pela AFP (.)

A manipulação também foi comprovada ao submeter as imagens ao SynthID, ferramenta de detecção de IA do Google DeepMind. De acordo com a plataforma, os registros contêm inteligência artificial “em todo ou parte do conteúdo”.

Há, ainda, inconsistências que confirmam o uso da tecnologia. No canto inferior de uma das imagens, por exemplo, é possível ver a suposta data do registro: 26 de outubro de 2019. Porém, Epstein morreu meses antes na prisão, em 10 de agosto de 2019.

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Captura de tela feita em 19 de fevereiro de 2026 com a marcação da suposta data do registro feita pela AFP. Símbolo de inteligência artificial (Ai) acrescentado pela AFP (.)

O AFP Checamos já verificou outros conteúdos sobre o caso Epstein (1, 2).

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