Sequência de cidade bombardeada não mostra ataque iraniano em Tel Aviv; vídeo foi feito com IA
- Publicado em 10 de março de 2026 às 20:34
- 3 minutos de leitura
- Por Pierre MOUTOT, AFP França
- Tradução e adaptação Ana ESPINOSA, AFP México, AFP Brasil
Após os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, a república islâmica respondeu lançando mísseis contra o território israelenese e bases norte-americanas em países do Golfo Pérsico. Nesse contexto, um vídeo que, segundo usuários nas redes sociais, mostraria um ataque iraniano à cidade israelense de Tel Aviv foi visualizado mais de 150 mil vezes nas redes sociais. No entanto, a filmagem foi criada com uso de inteligência artificial (IA).
“Impressionante bombardeio iraniano contra Israel esta manhã, Irã começou a lançar mísseis mais tecnológicos e difíceis de serem interceptados pelas defesas antimísseis de Israel”, dizem publicações compartilhando a sequência viral no Facebook, no Instagram, no X e no Threads.
Postagens semelhantes circulam em inglês, francês, espanhol, árabe, alemão e hindi.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, a república islâmica tem lançado retaliações com mísseis e drones em toda a região do Golfo Pérsico. Os contra-ataques iranianos têm como alvos embaixadas, bases militares dos EUA e pontos de infraestrutura econômica do interesse dos norte-americanos, incluindo refinarias de petróleo.
No último dia 4 de março, o exército israelense reportou uma série de ataques iranianos com mísseis contra “locais de lançamento, sistemas de defesa antiaérea e outras infraestruturas” em seu território. Não houve relato de dano significativo, embora a polícia tenha informado que uma mulher sofreu ferimentos leves provocados por estilhaços de munições que atingiram Tel Aviv.
Posteriormente, o conflito se estendeu para o Iraque e para a costa do Sri Lanka, onde um submarino norte-americano afundou um navio de guerra iraniano.
No entanto, o registro viralizado não é autêntico.
Uma busca reversa por fragmentos da sequência com a ferramenta InVID-WeVerify não levou a registros semelhantes publicados nos meios de comunicação.
Uma pesquisa por palavras-chave no Google com os termos “Israel”, “Tel Aviv” e “Irã” tampouco mostrou resultados confiáveis e correspondentes ao vídeo na mídia israelense ou internacional. Os correspondentes da AFP no local tampouco presenciaram o suposto ataque.
A sequência possui algumas inconsistências características de conteúdos gerados com inteligência artificial. Por exemplo, alguns carros parecem incompletos, enquanto outros estão colados ou embaçados.
Os painéis solares no topo dos prédios também apresentam distorções e anomalias visíveis. Além disso, duas espécies de guindastes de construção aparecem sobre um edifício, mas somente quando o vídeo amplia o zoom da suposta zona de impacto.
Uma análise de fragmentos da sequência viral feita pela equipe de checagem da AFP em espanhol, por meio da ferramenta de verificação InVID-WeVerify, indicou 78% de probabilidade do material ter sido criado com uso de IA.
A equipe da AFP em espanhol também submeteu o material à ferramenta de detecção de IA DeepFake-O-Meter, desenvolvido pelo Laboratório de Mídia Forense da Universidade de Buffalo, assim como à plataforma Hive Moderation, que indicaram uma alta probabilidade de manipulação.
O AFP Checamos já verificou outros conteúdos sobre o confronto no Oriente Médio em 2026.
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