Vídeo mostra protesto contra ação policial na gestão de Cláudio Castro no Rio; não de nordestinos contra Lula

  • Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 15:58
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

O vídeo de um protesto em que uma mulher afirma que o seu filho morreu por negligência médica foi visualizado mais de 150 mil vezes nas redes sociais desde 4 de fevereiro de 2026. Os posts sugerem que os manifestantes seriam nordestinos que protestavam contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso é falso: o registro foi feito em 2025 em um ato contra uma megaoperação policial realizada na gestão do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que resultou em 121 mortes.

“Eles matam com a saúde. Eles matam com a negligência. Fora Lula. Grita nordestina. O Brasil está ouvindo” diz texto sobreposto ao vídeo compartilhado no Instagram, no Facebook, no Threads, no Kwai e no TikTok

Na gravação, vê-se uma mulher gritando em meio a um protesto: “O meu filho morreu de negligência médica porque esse Estado imundo não cuida nem da saúde pública. O meu filho morreu por causa disso”. Em seguida ela complementa: “Ele ainda vem aqui e tira o pouco que a gente tem de paz. Esse homem não merece nada nosso! Nenhum voto, nem respeito”

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Captura de tela feita em 12 de fevereiro de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

Os posts circulam no momento em que se fortalecem nas redes os esforços de pré-campanha para as eleições presidenciais deste ano, pelas quais Lula já disse que buscará um quarto mandato.

Historicamente um bastião do Partido dos Trabalhadores (PT), o Nordeste tem gerado preocupação para a campanha de Lula, devido a um enfraquecimento do presidente na região. Mas não é verdade que o vídeo viral mostre moradores do Nordeste protestando contra o governo. 

Uma busca reversa no Google Lens por uma captura de tela do vídeo viralizado exibiu uma publicação no Instagram, feita em 31 de outubro de 2025, pelo Instituto Marielle Franco. O post informa que as imagens foram gravadas no ato “Chega de Massacre”, organizado por ativistas dos complexos da Penha e do Alemão para pedir justiça para os mortos em uma megaoperação policial conduzida na região naquele mês.

“Queremos um plano de redução de letalidade, não um plano de extermínio. O combate ao crime deve ser inteligente e respeitar a vida. CLÁUDIO CASTRO INIMIGO DO POVO!”, diz a legenda da publicação, mencionando o governador do Rio de Janeiro. 

A megaoperação citada aconteceu em 28 de outubro de 2025 e tinha como objetivo enfraquecer a facção criminosa Comando Vermelho em favelas do Rio de Janeiro. A ação se tornou a mais letal da história do Brasil, resultando em 121 mortes. 

As imagens de dezenas de corpos enfileirados no chão após a operação chocaram o mundo, levando a pedidos de investigação sobre o uso da força na ação policial. Na época, o Checamos verificou informações enganosas sobre o ocorrido. 

De fato, em 31 de outubro de 2025, um ato batizado de “Chega de Massacre” pediu justiça pelos mortos da operação e o fim da violência contra a população negra e periférica. A manifestação foi amplamente coberta pela mídia, inclusive pela AFP que fotografou a mesma mulher que aparece nos vídeos virais.

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Ativistas e moradores participaram de um protesto no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 2025, para exigir justiça pelas vítimas da megaoperação policial (AFP / Pablo PORCIUNCULA)

Este conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos.

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