É falso que Fux tenha ordenado a liberdade de Bolsonaro; vídeo foi feito por IA
- Publicado em 11 de março de 2026 às 17:28
- 3 minutos de leitura
- Por Caroline FARAH, AFP Brasil
Desde o final de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Neste contexto, posts visualizados mais de 50 mil vezes nas redes sociais desde 28 de janeiro de 2026 compartilham um vídeo em que o ministro do STF Luiz Fux supostamente afirma que Bolsonaro vai deixar a prisão para concorrer às eleições de 2026. Mas o conteúdo foi criado com inteligência artificial (IA).
“Notícia urgente. Ministro Fux ordena liberdade de Bolsonaro”, é a frase sobreposta a um vídeo publicado no Instagram. Conteúdo semelhante circula no TikTok.
Na sequência, o ministro do STF Luiz Fux supostamente afirma: “O Bolsonaro será solto e vai concorrer à Presidência, eu dou minha palavra como ministro do STF. E se você apoia o Bolsonaro e quer ver ele solto, comente de onde está assistindo e clique em todos os botões ao lado”.
O STF decretou, em agosto de 2025, a prisão domiciliar de Bolsonaro, após o político descumprir medidas cautelares em meio a seu julgamento por tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.
Em setembro de 2025, o ex-presidente foi condenado nesta ação com sentença de 27 anos e 3 meses de prisão em regime fechado.
Enquanto corria o período de recursos à decisão, Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) por violar sua tornozeleira eletrônica e representar “elevado risco de fuga”, de acordo com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
A prisão de Bolsonaro passou a ser definitiva em 25 de novembro de 2025 quando transitou em julgado a sua condenação.
A defesa do ex-mandatário tem apresentado recursos ao STF para rever a condenação ou para solicitar que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar.
O ministro Luiz Fux foi o único magistrado da Primeira Turma do STF (1, 2) a votar pela absolvição de Bolsonaro no julgamento da trama golpista.
Mas em nenhum momento de seu voto (1, 2) Fux fez a afirmação exibida no conteúdo viralizado. Na votação, o ministro pediu a anulação do processo, declarou a “incompetência absoluta” do STF para julgar a trama golpista e solicitou o envio do caso para a primeira instância.
A AFP tampouco localizou informações recentes na imprensa e no STF sobre tal decisão.
Conteúdo manipulado
A sequência tem indícios claros de conteúdo sintético. O principal deles é o fato de, ao final do vídeo, o magistrado supostamente pedir engajamento no vídeo e solicitar que o espectador “clique em todos os botões ao lado” – o que não é habitual nas falas de um juiz da Suprema Corte e tampouco faria sentido dentro de um voto proferido por um magistrado.
Além disso, as imagens viralizadas apresentam, falta de sincronia entre o áudio e o movimento labial de Fux. A fala tampouco apresenta pausas – como costuma acontecer com conteúdos manipulados por IA.
O cenário e as vestimentas do ministro no conteúdo viralizado são semelhantes às roupas usadas pelo magistrado na votação do julgamento da trama golpista. Fux vestia uma camisa branca com gravata azul-marinho por debaixo da toga preta.
Uma análise do áudio, feita com a ferramenta Hiya do InVID WeVerify, indicou 98% de probabilidade de ter sido gerado por inteligência artificial.
O Checamos também submeteu o arquivo do vídeo à ferramenta de detecção de IA Hive Moderation. A plataforma indicou 99,9% de probabilidade de que o áudio do conteúdo tenha sido manipulado com inteligência artificial.
O conteúdo também foi checado pelo Boatos.org e Estadão Verifica.
Referências
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