Uma foto de Alex Pretti é deixada em um memorial improvisado no local em que ele foi morto a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis, Minnesota, em 25 de janeiro de 2026 (AFP / Octavio JONES)

Foto manipulada com IA circula como se mostrasse momento da morte de Alex Pretti nos EUA

As redes sociais foram tomadas por imagens gráficas do momento em que agentes federais de imigração dos Estados Unidos atiraram e mataram o enfermeiro Alex Pretti, em Minneapolis, Minnesota, no último dia 24 de janeiro. Mas um suposto registro da ação, que soma mais de 10 mil interações, foi manipulado com inteligência artificial (IA). À AFP, um especialista confirmou que a imagem foi aprimorada sinteticamente a partir de um vídeo autêntico do momento, como evidenciado por uma pessoa que aparece sem cabeça.

“Contra essa imagem não há argumento”, dizem publicações que circulam no Facebook, no LinkedIn e no X.

Na imagem, agentes cercam e apontam uma arma para a cabeça de um homem, que usuários afirmam ser Alex Pretti, ajoelhado no chão.

Enquanto alguns usuários usam a imagem para criticar o uso de força pelos agentes, outros alegam que ela prova que Pretti estava sacando uma arma durante o confronto. 

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Captura de tela feita em 29 de janeiro de 2026 de uma publicação no X .

As tensões em Minneapolis, provocadas pelo aumento da presença de agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) ordenado pelo presidente Donald Trump, se intensificaram em 24 de janeiro de 2026, quando os agentes federais mataram Alex Pretti, um enfermeiro de terapia intensiva norte-americano, durante uma manifestação contra a política migratória de Trump.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que o enfermeiro tinha a intenção de atacar os agentes, mas um vídeo verificado pelo Bellingcat e pelo New York Times mostra que Pretti não sacou uma pistola que, segundo as autoridades, ele tinha licença para portar, e que aparentemente ele já estava desarmado no momento em que foi baleado.

O incidente ocorreu poucas semanas após a morte de outra moradora de Minneapolis, Renee Good, que também foi baleada por um agente migratório, em 7 de janeiro. A Casa Branca também afirmou que Good ameaçava os policiais, o que contradiz um registro gravado na ocasião. O serviço de verificação da AFP já desmentiu alegações associadas ao caso (1, 2).

De forma semelhante, a suposta imagem em alta resolução dos agentes atirando em Pretti foi manipulada por IA.

Uma busca reversa no Google indicou que a fotografia é semelhante a uma filmagem do incidente, verificada por diferentes portais norte-americanos. No entanto, a gravação original é muito mais granulada e de baixa qualidade.

Além disso, elementos da suposta imagem em alta resolução são característicos de conteúdos gerados por inteligência artificial.

O agente ajoelhado ao lado da figura que representa Pretti, por exemplo, parece não ter uma cabeça. Uma de suas pernas também está dobrada em um ângulo não natural e ao lado de um objeto indistinguível. 

O objeto na mão direita de Pretti, que alguns alegaram ser uma arma, está desfocado, mas registros autênticos mostram que ele segurava um telefone.

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Captura de tela feita em 29 de janeiro de uma publicação no Facebook evidenciando as inconsistências características de conteúdos gerados por IA .

Hany Farid, professor da Escola de Informação da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse à AFP que o laboratório de segurança GetReal, do qual é cofundador, também concluiu que a imagem manipulou o fragmento de um vídeo real. Ele afirmou que este tipo de uso da IA se popularizou à medida em que usuários tentam criar imagens nítidas a partir de vídeos reais, mas de baixa qualidade.

“O problema com essas imagens é que o aprimoramento pela IA tende a gerar alucinações em detalhes”, explicou o professor por e-mail em 26 de janeiro.

Ele mencionou ainda publicações semelhantes que “desmascararam” sinteticamente o agente que atirou em Good, no início de janeiro. A AFP já verificou conteúdos que usaram IA para “aprimorar” imagens de segurança para identificar o atirador do ativista conservador Charlie Kirk.

Referências

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