Lojas do Carrefour ficaram temporariamente fechadas em respeito à morte de cliente espancado

Copyright © AFP 2017-2021. Todos os direitos reservados.

Publicações compartilhadas mais de 13,5 mil vezes nas redes sociais desde o último dia 25 de novembro afirmam que o Carrefour fechou lojas em Porto Alegre e demitiu 783 funcionários após um cliente negro ter sido agredido até a morte por seguranças, atribuindo a ação da empresa à candidata à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila. Mas a informação não procede. De acordo com a assessoria da rede, a loja na qual João Alberto morreu permaneceu fechada apenas em 26 de novembro em respeito ao ocorrido. As demais no país também fecharam, mas abriram após as 14h.

“Carrefour fechou hoje em Porto Alegre, demitidos 783 pessoas. Agradeçam a Manuela D’Ávila. Agenda comunista aplicada com sucesso”, afirmam postagens compartilhadas milhares de vezes no Facebook (1, 2, 3), dias após a morte de João Alberto Freitas, espancado por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre, em 19 de novembro.

A afirmação, que atribui o fechamento da loja e as demissões de funcionários à candidata à Prefeitura de Porto Alegre pelo PCdoB, Manuela D’Ávila, também circulou no Instagram (1, 2, 3) e Twitter (1, 2).

Captura de tela feita em 29 de novembro de 2020 de uma publicação no Instagram

O Checamos entrou em contato com a assessoria de imprensa do Grupo Carrefour que, por e-mail, assinalou que a alegação não procede: “O que ocorreu foi o fechamento da loja de Porto Alegre na quinta-feira, 26/11, em respeito ao ocorrido no caso do Sr João Alberto. Além do fechamento de todas as outras lojas no país até às 14h no mesmo dia”.

Na própria quinta-feira, o Carrefour publicou uma nota em suas páginas no LinkedIn e Twitter anunciando esta ação.

Um vídeo gravado com um celular por uma testemunha e divulgado pela imprensa e nas redes sociais capta o momento em que João Alberto Freitas, um soldador de 40 anos, foi agredido com vários socos por um dos seguranças enquanto o outro o mantinha imobilizado.

Um dia após a sua morte, o grupo anunciou que iria romper o contrato com a empresa responsável pelos seguranças e demitir o funcionário que estava gerenciando a loja de Passo D’Areia, em Porto Alegre, no momento da agressão.

Diversas manifestações foram realizadas desde então não apenas em Porto Alegre, como também no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Um cartaz em frente a uma loja do Carrefour em Porto Alegre, em 20 de novembro de 2020 (Silvio Avila / AFP)

As publicações também mencionam a candidata à Prefeitura de Porto Alegre Manuela D’Ávila, que, em 29 de novembro, disputava o segundo turno com Sebastião Melo (MDB), como uma das responsáveis pelos supostos fechamentos e demissões na rede de supermercados.

A candidata do PCdoB, de fato, participou de um protesto pela morte de João Alberto e se posicionou em sua conta no Twitter contra a ação dos seguranças, mas não há registros de que tenha tido qualquer envolvimento em uma eventual decisão do grupo Carrefour.

Segundo a última pesquisa Ibope de intenção de voto, divulgada em 28 de novembro, Manuela tinha 51% dos votos válidos, enquanto Melo aparecia com 49%.

Atualmente, a cidade de Porto Alegre é governada por Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, que tentou a reeleição, mas ficou em terceiro lugar no primeiro turno das municipais com 21% dos votos.

Este conteúdo também foi checado pelas equipes do Aos Fatos, Agência Lupa e Boatos.org.

Em resumo, é falso que o Carrefour tenha fechado uma loja em Porto Alegre e demitido mais de 780 funcionários depois que um cliente negro foi morto após ser espancado. Em nota à AFP, o grupo confirmou que um de seus estabelecimentos na capital gaúcha ficou fechado durante todo o dia 26 de novembro em respeito à morte de João Alberto, enquanto o restante das lojas no país abriu após às 14h.

Eleições 2020