Guilherme Boulos não tuitou que pessoas com quartos sem uso deverão abrigar moradores de rua

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Capturas de tela de um tuíte em que o candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, supostamente diz que determinará que pessoas com quartos sem uso em casa abriguem moradores de rua durante a pandemia de covid-19 circulam amplamente nas redes alguns dias antes do segundo turno das eleições municipais. A mensagem foi publicada, contudo, por um perfil falso. Em seu plano de governo, Boulos propõe que pessoas em situação de rua sejam acolhidas em propriedades públicas, não privadas.

“Vou fazer um lookdow diferente! Os moradores de rua não podem ficar na rua, vou decretar que quem tem um quarto ou mais em casa sem uso, abrigue moradores de rua pela segurança de todos!” , diz o tuíte atribuído ao político em publicações compartilhadas mais de 1.700 vezes no Facebook (1, 2, 3) e Instagram desde o último dia 18 de novembro.

O conteúdo circula no momento em que Boulos cresce em pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição, em 29 de novembro, diminuindo a vantagem de Bruno Covas, do PSDB. “Boa sorte paulistanos. Já vão preparando um quartinho”, escreveu uma usuária ao replicar a alegação. 

Captura de tela feita em 27 de novembro de 2020 de uma publicação no Facebook

Candidato à Presidência em 2018, Boulos faz parte da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que reivindica o direito à moradia para pessoas em situação de rua, por vezes através da ocupação de propriedades que consideram não estar cumprindo sua função social, como, por exemplo, edificações abandonadas.

O tuíte viralizado não foi publicado, contudo, pelo candidato a prefeito de São Paulo.

Como demonstrado abaixo, a mensagem foi escrita pelo perfil “@boulos50”, enquanto a conta oficial do político é “@GuilhermeBoulos”. O nome do candidato está, além disso, escrito errado nas capturas de tela compartilhadas nas redes: Bolos, ao invés de Boulos. 

Comparação feita em 27 de novembro de 2020 de captura de tela publicada no Facebook e de tuíte publicado na conta oficial de Guilherme Boulos

A conta verdadeira do político possui o selo azul de verificação do Twitter, que autentifica páginas de interesse público. Já o perfil “@boulos50” foi suspenso por violar as regras da rede social.

Uma busca por palavras-chave na página de Boulos não localiza qualquer tuíte em que o candidato afirme que pessoas com quartos sem uso deverão abrigar aqueles que não têm onde morar.

Durante a pandemia de covid-19 Boulos usou a rede social, por outro lado, para defender que a Prefeitura de São Paulo contratasse hotéis para abrigar idosos em situação de rua.

Em seu plano de governo tampouco há menção a uma proposta semelhante à compartilhada nas redes. Para lidar com a falta de acesso à moradia, Boulos propõe abrigar a população em situação de rua “em casas e equipamentos públicos” e construir novas “casas solidárias”.

Em seu canal no YouTube, o candidato respondeu aos comentários de quem alega que ele invade casas com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

“O MTST nunca invadiu a casa de ninguém. Parece que é aquela ideia que alguém vai chegar na tua casa, estourar o teu portão, botar gente pra morar no seu quarto. Não. [...] O que o movimento faz é identificar grandes imóveis, prédios inteiros, terrenos que estão em situação de abandono. Estão abandonados há 10, 20, 30 anos. [...] O que o MTST faz é identificar esses imóveis e ocupar, junto com as pessoas, para pressionar o poder público a cumprir o seu papel”, afirmou.

Este conteúdo também foi verificado pelas equipes do projeto Comprova e da Agência Lupa.

Em resumo, é falso que o candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, tenha afirmado no Twitter que irá decretar que pessoas com quartos sem uso abriguem moradores de rua durante a pandemia de covid-19. A mensagem foi publicada por um perfil falso, que foi suspenso da rede social.

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