É falso que líder do PL Sóstenes Cavalcante tenha dito que é preciso "repensar o voto feminino"
- Publicado em 31 de julho de 2026 às 21:10
- 2 minutos de leitura
- Por Laura ABREU, AFP Brasil
Um movimento contrário ao voto feminino no Brasil encontrou espaço nas redes sociais em julho de 2026, após a declaração de um aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Nesse contexto, usuários passaram a alegar que o deputado e líder do Partido Liberal na Câmara, Sóstenes Cavalcante, teria defendido repensar o direito ao voto para mulheres. Mas o conteúdo, que soma mais de 37 mil interações, é falso. Os posts são embasados em uma entrevista na qual o tema não é mencionado em nenhum momento. À AFP, a assessoria do parlamentar negou que ele tenha dado a declaração viral.
“TEMOS QUE REPENSAR O VOTO FEMININO. MULHER VOTA COM A EMOÇÃO, POR ISSO VOTA MAL”, lê-se em uma legenda sobreposta a uma imagem do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL) em frente a microfones que circula no Instagram, no Facebook, no X, no Threads e no TikTok.
A discussão sobre o voto feminino passou a ser pauta nas redes sociais e na campanha eleitoral de 2026 após o influenciador Paulo Figueiredo, aliado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), declarar em seu podcast, em 25 de junho, que as mulheres “votam mal”.
A declaração foi feita em um episódio em que Figueiredo criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, dias após ela publicar um vídeo em que expõe um desentendimento com o seu enteado Flávio Bolsonaro.
O posicionamento acompanha um movimento de outros influenciadores e personalidades da extrema direita do Brasil e dos Estados Unidos que defendem o fim do voto feminino.
No entanto, não é verdade que Sóstenes Cavalcante tenha dado a declaração que viralizou nas redes sociais.
Declaração falsa
Uma busca reversa pela imagem que ilustra as publicações identificou que ela é uma captura de tela de uma declaração pública de Sóstenes Cavalcante de 29 de abril de 2026.
O vídeo de poucos segundos foi gravado após o Senado rejeitar a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o advogado-geral da União Jorge Messias assumisse uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na sequência, o líder do PL indica que o posicionamento de esquerda de Messias pesou para a rejeição da indicação. Ele não cita o voto feminino em nenhum momento.
Outra busca no Google pelos termos “Sóstenes Cavalcante” e “voto feminino” não levou a notícias ou vídeos de declarações semelhantes à viralizada.
Em contato com o Checamos em 31 de julho, a assessoria do deputado negou que ele tenha feito a declaração viral e afirmou se tratar de um conteúdo falso.
Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos e Reuters.
O Checamos já verificou outro conteúdo sobre o voto feminino.
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