É falso mapa com voto feminino em cada estado; voto é secreto e dado é inexistente
- Publicado em 10 de julho de 2026 às 18:13
- 3 minutos de leitura
- Por Laura ABREU, AFP Brasil
Após o jornalista Paulo Figueiredo dizer no dia 25 de junho de 2026 em seu podcast que “mulher vota mal”, publicações nas redes sociais compartilham um mapa que supostamente mostra como o eleitorado feminino de cada estado do país votou no segundo turno da eleição de 2022. Mas o conteúdo, que acumula mais de oito mil interações, é falso: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não possui esse levantamento porque o voto é secreto e sigiloso.
“O VOTO DAS MULHERES NO 2º TURNO RESULTADO POR ESTADO”, lê-se em uma imagem que circula no Instagram, no Facebook, no X e no TikTok. Um conteúdo semelhante circula também no Kwai.
As publicações compartilham um mapa do Brasil em que é apontado que o eleitorado feminino da maioria dos estados votou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022, em detrimento do então candidato Jair Bolsonaro. Os dados são atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O mapa passou a circular nas redes sociais após o jornalista Paulo Figueiredo, aliado próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), declarar que as mulheres “votam mal” em seu podcast, em 25 de junho de 2026.
No episódio, o jornalista criticou a ex-primeira-dama e então presidente do PL Mulher, Michelle Bolsonaro. O comentário veio dias após ela expor em um vídeo um desentendimento com seu enteado Flávio Bolsonaro.
Mas o suposto mapa que circula nas redes é falso.
Voto secreto, dado inexistente
Uma busca no painel de estatísticas da eleição de 2022 no site do Tribunal Eleitoral Superior (TSE) mostra que somente estão disponíveis dados gerais sobre o perfil do eleitorado, como, por exemplo, o grau de instrução, a faixa etária e a porcentagem de homens e mulheres que votaram no pleito.
Não há dados específicos que indiquem em qual candidato as mulheres votaram em cada estado, já que essa informação tampouco é computada na hora do voto.
O sigilo do voto é garantido pelo Código Eleitoral que determina que o eleitor vote de forma isolada na cabine de votação onde assinala o candidato de sua escolha na urna eletrônica.
A Lei das Eleições de 1997 também determina que a urna eletrônica resguarde o anonimato do eleitor.
Em contato com o Checamos, a assessoria do TSE reforçou que a legislação de 1997 assegura o anonimato do voto e que, portanto, não seria possível “associar os votos registrados na urna à identidade ou ao perfil cadastral da eleitora ou do eleitor”.
“Eventuais análises sobre perfil de preferência do eleitorado, como recortes por gênero, faixa etária ou grau de instrução, podem ser realizadas a partir de pesquisas eleitorais que adotem essa metodologia e divulguem esses cruzamentos. Esses resultados, contudo, são produzidos pelos institutos responsáveis pelas pesquisas e não integram os repositórios de dados da Justiça Eleitoral”, disse a nota em 3 de julho.
Uma pesquisa eleitoral do Datafolha divulgada três dias antes do segundo turno da eleição de 2022 mostrou que Lula tinha de 51% a 52% de intenção de voto do eleitorado feminino, enquanto Bolsonaro oscilava de 42% para 41%.
Mapa contém improbabilidade estatística
O mapa viral também possui uma improbabilidade estatística. A preferência de Lula é apontada entre o eleitorado feminino no estado do Acre, onde os resultados do segundo turno mostram que Bolsonaro obteve 70,3% dos votos.
Nesse estado, 51% do eleitorado era feminino em 2022.
Em seu perfil do X, o colunista do Estadão e engenheiro Franklin Weise citou uma análise do estatístico Raphael Nishimura segundo a qual, para que fizesse sentido o apontado no mapa viral, seria necessário que Bolsonaro tivesse 93% do voto masculino no Acre, algo “inverossímil no Brasil”.
Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos e Estadão Verifica.
Referências
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