Gravação de soldados israelenses vandalizando igreja no Líbano foi gerada com IA
- Publicado em 15 de junho de 2026 às 19:26
- 3 minutos de leitura
- Por Rabih YOUNES, AFP Oriente Médio e Norte da África
- Tradução e adaptação Dene-Hern CHEN, AFP Australia, AFP Brasil
Um soldado israelense foi fotografado destruindo uma estátua de Jesus Cristo no Líbano em abril de 2026. Semanas após o incidente, uma gravação visualizada mais de 112 mil vezes nas redes sociais parece mostrar dois soldados israelenses vandalizando uma igreja na cidade libanesa de Debel. Mas autoridades locais confirmaram à AFP que a cidade não tem uma igreja como a exibida no vídeo viral, e uma análise do conteúdo encontrou indícios de que ele foi gerado por inteligência artificial (IA).
“Soldados israelenses gravam a si próprios profanando e destruindo uma igreja católica no Líbano”, diz uma das publicações compartilhadas no Facebook, no Instagram, no Threads e no X.
Algumas publicações alegam que o conteúdo teria sido gravado em uma igreja na cidade de Debel, no sul do Líbano.
O conteúdo também circula em inglês e em árabe.
A sequência viral parece mostrar dois soldados em pé dentro de uma igreja. Em seguida, a gravação os mostra em meio a destroços chutando pedaços quebrados de móveis e objetos enquanto riem.
As publicações circulam após um soldado de Israel ser fotografado em abril de 2026 golpeando com uma marreta a cabeça de uma estátua de Jesus Cristo que havia caído de uma cruz.
A escultura estava localizada na vila cristã de Debel, no sul do Líbano, próxima à fronteira com Israel, conforme a prefeitura afirmou à AFP, mas as autoridades não puderam confirmar se ela havia sido danificada de fato.
O Exército israelense disse ter determinado, após uma investigação, que a imagem viralizada era autêntica e mostrava um soldado israelense em operação no sul do Líbano.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que ficou “chocado e triste ao saber que um soldado das FDI [Forças de Defesa de Israel] havia danificado um símbolo religioso católico no sul do Líbano” e prometeu “medidas severas”.
No entanto, a sequência de dois soldados vandalizando uma igreja no Líbano foi gerada por IA.
Inconsistências visuais
Uma análise dos detalhes do vídeo revela diversas inconsistências gráficas, as mais proeminentes sendo as diferenças nas obras de arte da parede da igreja e nas características arquitetônicas vistas nos trechos de “antes” e “depois”.
Aos 10 segundos da gravação, a perna de um dos soldados também desaparece rapidamente quando ele chuta um objeto.
Segundo jornalistas da AFP falantes de hebraico, as vozes dos soldados soam estranhas e suas palavras são incoerentes.
Não existe essa igreja em Debel
O prefeito de Debel, Akl Nadaf, contactado pela AFP por telefone em 3 de junho, disse que na cidade não existe uma igreja como a exibida no vídeo.
Boutros al-Ra’i, o mukhtar — ou chefe administrativo — da cidade, afirmou à AFP em 3 de junho que Debel tem duas igrejas conhecidas pelos residentes, uma antiga e outra nova. Ele também forneceu à AFP fotografias dos dois locais para comparação.
“Nenhum dos designs corresponde com o que aparece na gravação compartilhada”, ele disse.
Além disso, Hany Kahwagi-Janho, professor de Arquitetura e Arqueologia na Universidade do Espírito Santo de Kaslik, no Líbano, informou à AFP em 5 de junho que o local exibido no vídeo apresenta uma “mistura estranha” de elementos católicos e bizantinos, que, segundo ele, não são comumente encontrados juntos em igrejas.
Ele acrescentou: “Eu conheço as igrejas na cidade de Debel e elas não se parecem com a vista no vídeo”.
Referências
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