Operação contra lavagem de dinheiro que mirou Jair Renan Bolsonaro é de 2023; acusações foram arquivadas

  • Publicado em 6 de maio de 2026 às 17:10
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

Não é verdade que Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenha sido alvo de uma operação policial contra lavagem de dinheiro em abril de 2026. Essa alegação é disseminada por publicações visualizadas mais de 340 mil vezes nas redes sociais que compartilham uma reportagem do Jornal da Band sobre uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Mas a matéria é de agosto de 2023. Desde então, as acusações contra o vereador foram arquivadas.

“Jair Renan filho de Bolsonaro é alvo de uma operação policial”, diz o texto sobreposto à reportagem compartilhada no Instagram, no Facebook, no Kwai, no TikTok e no X

As publicações também indicam a data em que a matéria teria sido veiculada: “27/04/2026”.

O conteúdo foi encaminhado ao WhatsApp do AFP Checamos, para onde os usuários podem enviar mensagens vistas em redes sociais, caso duvidem de sua veracidade.

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Captura de tela feita em 4 de maio de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

No vídeo viralizado, o âncora de um telejornal afirma: “O filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan, foi alvo de uma operação da Polícia Civil, do Distrito Federal, que investiga o uso de empresas fantasmas para lavagem de dinheiro”.

No entanto, a reportagem é antiga e as acusações contra Jair Renan Bolsonaro foram arquivadas.

Operação de 2023

Uma busca reversa por fragmentos do vídeo no Google encontrou a matéria original publicada em 25 de agosto de 2023 pelo perfil do Jornal da Record no Facebook.

A reportagem explica que mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva foram cumpridos em endereços ligados a Jair Renan Bolsonaro. O principal investigado na operação era Maciel Carvalho, identificado como instrutor de tiro e amigo do vereador.

A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou Jair Renan em fevereiro de 2024 por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso. O vereador teria usado um documento com informações falsas sobre a sua empresa de eventos, RB Eventos e Mídia — encerrada desde então —, para obter um empréstimo bancário que não foi pago.

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Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na sede da Polícia Federal em Brasília, em 27 de novembro de 2025. (AFP / Evaristo Sa)

Em abril do mesmo ano, o banco Santander solicitou ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) que bens de Jair Renan fossem apreendidos para quitar a dívida de R$ 360 mil. As duas partes chegaram a um acordo em março de 2025, quando o vereador pagou mais de R$ 409 mil à instituição, e o processo movido pelo banco foi arquivado.

Após o pagamento, o TJDFT entendeu que não houve demonstração de prejuízo, e os desembargadores entenderam que não havia provas mínimas de dolo específico por parte de Jair Renan nos crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso, e as duas acusações foram arquivadas pelo tribunal.

Em fevereiro de 2026, o  veículo Metrópoles reportou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) trancou a ação penal remanescente, já que a acusação de lavagem de dinheiro teria perdido fundamento, uma vez arquivadas as acusações por falsidade ideológica e uso de documento falso.

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