Malafaia menciona Wagner Moura, não Flávio Bolsonaro, ao criticar filme
- Publicado em 25 de maio de 2026 às 23:59
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- Por Caroline FARAH, AFP Brasil
A negociação milionária entre Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiamento do filme Dark Horse, revelada pelo The Intercept Brasil em maio de 2026, abalou a pré-candidatura do senador à Presidência e provocou desgaste em seu núcleo político. Neste contexto, um vídeo foi visualizado mais de 50 mil vezes nas redes sociais como se mostrasse o pastor Silas Malafaia criticando Flávio, seu aliado, por pedir dinheiro a Vorcaro para o filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Isso é falso. No vídeo, o pastor critica o ator Wagner Moura, que havia movido um processo contra ele.
“Silas Malafaia detona e mostra que já soltou a mão de Flávio Bolsonaro” é a frase sobreposta ao vídeo compartilhado no Facebook, no Instagram, no Threads, no TikTok e no Kwai.
“Quanto você recebeu? Diz em público. O dinheiro que você recebeu para fazer o filme tem grana dos contribuintes brasileiros e de outros, mas tem grana e você sabe muito bem”, questiona Malafaia na gravação. A sequência é ilustrada por imagens de Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e Jair Bolsonaro, sugerindo que a fala do pastor estaria associada ao financiamento do filme “Dark Horse”.
Em 13 de maio de 2026, o site The Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enviou mensagens ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cobrando repasses financeiros para o financiamento da produção de “Dark Horse”, filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vorcaro é investigado por suspeita de integrar um esquema de emissão de títulos de créditos falsos, e foi preso pela última vez em março de 2026 por “risco concreto de interferência nas investigações” da Operação Compliance Zero, que tem como alvo investigar a fraude bilionária envolvendo o Banco Master.
Em meio à crise instalada com a revelação da proximidade entre o senador e Vorcaro, integrantes do PL afirmaram à imprensa que poderiam reavaliar a candidatura do filho de Bolsonaro.
As postagens sugerem que Silas Malafaia, que declarou apoio à candidatura de Flávio, estaria rompendo com o senador.
Mas, embora o vídeo do pastor seja verdadeiro, ele não estava se referindo a Flávio.
Uma busca reversa no Google Lens pela captura de tela da gravação exibiu a gravação original publicada no canal de Malafaia no YouTube, em 20 de abril de 2026, sob o título: “Ator Wagner Moura está me processando”.
Wagner Moura processou Malafaia após o pastor xingá-lo nas redes sociais de “artista cretino” e insinuar que ele teria se beneficiado de recursos públicos por sua atuação no filme “O Agente Secreto”.
No vídeo, gravado por Malafaia como resposta à notícia de que estava sendo processado, o pastor volta a questionar a origem dos recursos usados na produção do filme estrelado por Moura. No início da sequência, Malafaia conta que ficou sabendo da ação penal pelo jornalista Lauro Jardim – trecho omitido nos posts viralizados.
Em seguida, ele reproduz a fala compartilhada nas redes sociais fora de contexto. Em nenhum momento o pastor cita Flávio Bolsonaro, Vorcaro, Jair Bolsonaro ou faz qualquer referência ao filme “Dark Horse”.
Após as revelações das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, Malafaia publicou um vídeo afirmando que não vai fazer “juízo de valor e nem julgar Flávio por vazamento seletivo” e se disse “vítima dessa porcaria”, em referência à divulgação, em agosto de 2025, de áudios de conversas entre ele e Jair Bolsonaro, quando chamou o então deputado federal Eduardo Bolsonaro de “babaca”.
De acordo com notícias da imprensa, em 20 de maio de 2025, Malafaia vem adotando cautela em relação ao apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro após a divulgação de sua relação com Vorcaro. “Por enquanto, estamos todos com cautela. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio”, afirmou Malafaia ao jornal O Globo.
O Checamos já verificou alegações em torno do orçamento do filme “O Agente Secreto”. De acordo com as informações da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o filme teve um orçamento de R$ 28 milhões. O longa é uma coprodução internacional entre Brasil, França, Holanda e Alemanha. Os aportes brasileiros foram de R$ 13,5 milhões, sendo cerca R$ 8 milhões de investimento público via Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A obra também recebeu outros R$ 3 milhões da Lei do Audiovisual, um mecanismo pelo qual pessoas físicas e jurídicas patrocinam projetos audiovisuais pré-aprovados, tendo os valores abatidos do Imposto de Renda (IR).
A Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet e frequentemente associada ao financiamento de produções nacionais, não financia filmes de longa-metragem, como é o caso de “O Agente Secreto”. O recurso é destinado a “produção de discos, vídeos, obras cinematográficas de curta e média metragem”.
Este conteúdo também foi checado pelo Estadão Verifica.
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