Não há registro de que Lula tenha prometido, durante agenda na Alemanha, ajudar Cuba em caso de invasão dos EUA
- Publicado em 28 de abril de 2026 às 23:10
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- Por Joao Pedro CAPOBIANCO
Em 16 de abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu agenda oficial na Europa. Desde o dia 20, publicações no Facebook que somam mais de 10 mil interações alegam que Lula teria afirmado, na Alemanha, que o Brasil estaria pronto para proteger a soberania de Cuba no caso de uma invasão ordenada por Donald Trump. Mas, embora Lula tenha criticado intervenções em diversos países e também o embargo norte-americano a Cuba, não há registro público de que o presidente tenha sugerido proteger o país caribenho em sua passagem pelo país.
“Durante agenda na Alemanha, Lula afirmou que o Brasil está ‘pronto para ajudar’ Cuba diante de uma possível ação dos Estados Unidos, em meio às tensões envolvendo Donald Trump”, diz uma publicação no Facebook.
Conteúdo semelhante alega que a fala teria gerado reações negativas da oposição e que “críticos questionam as prioridades do governo diante de desafios internos no Brasil”.
Uma busca por falas do presidente durante passagem pela Alemanha não revela, porém, qualquer frase sugestiva de que o Brasil estaria pronto para defender Cuba de um ataque norte-americano.
A comitiva presidencial chegou a Hannover em 19 de abril, onde permaneceu até a manhã do dia 21, quando partiu para Portugal. A visita à Alemanha incluiu, entre outros eventos, recepção no Palácio de Herrenhausen, participação na feira industrial de Hannover (1, 2), visita à fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, presença no 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha e uma declaração conjunta à imprensa.
Em nenhum dos eventos públicos há registros da suposta afirmação feita pelo presidente brasileiro.
Crítica a intervenções estrangeiras
Durante a coletiva de imprensa realizada ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, em 20 de abril, o presidente brasileiro foi questionado sobre qual seria a posição do governo brasileiro no caso de um ataque dos Estados Unidos contra Cuba.
Lula se disse contrário a qualquer intervenção territorial estrangeira, em qualquer país, mas não afirmou que o Brasil protegeria Cuba. “Eu serei contra a invasão de Cuba como eu fui contra a da Ucrânia, como eu fui contra a de Gaza, como eu sou contra a do Irã. Eu sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política em como as sociedades, um país, deve se organizar ou não”, afirmou.
O presidente brasileiro também chamou o embargo econômico sobre Cuba de “vergonha mundial” e afirmou que o país é vítima de um “bloqueio ideológico”.
Após ter atacado a Venezuela e o Irã nos dois primeiros meses do ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Cuba seria seu próximo alvo. O republicano também já afirmou que estudava uma “tomada de controle amistosa” da ilha no Caribe.
Declaração Conjunta sobre a situação em Cuba
No último 18 de abril, os governos do Brasil, da Espanha e do México publicaram uma Declaração Conjunta em que expressaram preocupação com a crise humanitária que afeta a sociedade cubana.
O texto ressalta a necessidade de prevenir ações contrárias ao direito internacional e de respeitar “os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas”.
Não há, na declaração, menção à possibilidade de proteção de Cuba pelo governo brasileiro.
Conteúdo semelhante foi checado por Reuters e por Aos Fatos.
Referências
- Agenda do Presidente da República entre os dias 19 e 21 de abril de 2026 (1, 2, 3)
- Transmissões oficiais da Presidência brasileira durante viagem à Alemanha (1, 2, 3, 4)
- Coletiva de imprensa na Alemanha
- Declaração Conjunta dos governos de Brasil, Espanha e México sobre situação em Cuba
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