Vídeo não mostra Trump dispensando o primeiro-ministro da Espanha devido à guerra no Oriente Médio
- Publicado em 16 de março de 2026 às 18:04
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- Por Cintia NABI CABRAL, AFP França
- Tradução e adaptação Gwen Roley, AFP USA, Caroline FARAH, AFP Brasil
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que desencadearam a atual guerra no Oriente Médio, mas isso não levou o presidente norte-americano, Donald Trump, a repreender publicamente o premiê espanhol em uma reunião recente. Publicações com essa alegação foram visualizadas mais de 1.500 vezes nas redes sociais desde 8 de março de 2026. A gravação compartilhada como prova de que a interação ocorreu foi feita, no entanto, durante uma reunião do G20 em Osaka, há mais de cinco anos.
“Momento constrangedor: o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, tentou se aproximar para falar com Trump, recebeu um direto ‘sente-se’ do presidente americano. O motivo: a Espanha teria negado aos EUA o uso temporário de bases militares durante a guerra contra o Irã”, afirmam publicações no Facebook, no Instagram, no Kwai e no X.
A alegação é compartilhada junto a um vídeo dos dois líderes aparentemente em uma reunião diplomática. Embora o diálogo seja inaudível, Trump parece apontar para uma cadeira, antes de o primeiro-ministro espanhol sorrir para si mesmo e se sentar.
Alegações semelhantes circularam em francês, espanhol, inglês e vietnamita.
Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã, desencadeando uma guerra no Oriente Médio.
Alguns países europeus prometeram assistência militar “defensiva” às nações aliadas, apesar de permanecerem cautelosos quanto ao envolvimento direto com os ataques, enquanto outros, como a Romênia, permitiram que os Estados Unidos utilizassem bases aéreas para reabastecer aeronaves.
O governo espanhol, por outro lado, se opôs à guerra e não permitiu que aeronaves norte-americanas usassem as bases militares do país. “A posição do governo da Espanha se resume em quatro palavras: não à guerra”, afirmou Sánchez.
Em resposta, o governo Trump acusou a Espanha de se comportar como um “aliado terrível” e ameaçou suspender o comércio entre os dois países.
No entanto, o vídeo que circula nas redes não mostra uma continuação da discordância entre os dois líderes.
Uma busca reversa no Google Lens pela captura de tela de um trecho do vídeo exibiu reportagens (1, 2, 3) publicadas em 28 de junho de 2019, sobre a reunião da cúpula de líderes globais do G20 em Osaka, no Japão.
As legendas dos vídeos afirmam que Trump teria dito ao primeiro-ministro espanhol para “se sentar”. Na época, o gesto foi interpretado como uma afronta, mas a AFP não encontrou registros de que algum dos líderes tenha comentado o episódio.
Embora ainda considere o início da atual guerra um “erro extraordinário” e que o conflito não está “em conformidade com o direito internacional”, Sánchez suavizou sua posição ao afirmar que a “cooperação” deve prevalecer sobre o "confronto" nas relações com os Estados Unidos.
A AFP verificou outras alegações relacionadas à guerra no Irã.
Referências
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