Imagem de míssil iraniano rosa foi gerada por IA

Em 21 de abril de 2026, o presidente norte-americano Donald Trump prorrogou por tempo indeterminado o cessar-fogo no conflito do Oriente Médio, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra o Irã na região. Desde 6 de abril, um dia antes ao início da trégua, publicações somam mais de 36 mil interações nas redes sociais ao mostrar um suposto míssil rosa que teria sido criado atendendo a um pedido de uma menina iraniana, para que fosse lançado contra Israel. Mas o registro foi gerado com inteligência artificial (IA).

“Em vídeo viral, menina iraniana pede ‘míssil rosa’ para bombardear Tel Aviv e é atendida: ‘Atendendo ao pedido da pequena revolucionária’”, diz uma das mensagens no Facebook, no Instagram, no X e no Threads.

Postagens semelhantes circulam em árabe e foi compartilhada em inglês pela conta oficial da embaixada iraniana na África do Sul.

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Captura de tela feita em 22 de abril de 2026 de uma publicação no X. Símbolo de inteligência artificial (Ai) adicionado pela AFP (.)

As publicações mostram um vídeo de uma menina supostamente pedindo para a Guarda Revolucionária do Irã lançar um “míssil rosa” contra Israel, além de acompanhar a imagem do suposto projétil com uma inscrição em farsi, dizendo: “Em resposta ao pedido de uma garota revolucionária”.

Os Estados Unidos, aliado histórico de Israel, e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas em 7 de abril de 2026. Uma semana depois, as negociações de paz realizadas no Paquistão terminaram sem um acordo, e forças militares dos EUA começaram a bloquear portos iranianos em uma tentativa de assumir o controle do Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima global.

Pouco antes do fim do prazo, em 22 de abril, Trump prorrogou a trégua no conflito por tempo indeterminado, e afirmou que, por conta dos bloqueios, a República Islâmica estaria em “colapso financeiro”.

Mas a imagem do suposto míssil iraniano rosa não é autêntica.

Registro gerado por IA

A imagem viral contém um enquadramento fechado, dificultando a identificação de elementos ao fundo, mas uma análise especializada da mecânica do suposto projétil permitiu identificar inconsistências.

Para o analista de conflitos Darren Olivier, a fiação abaixo da inscrição, por exemplo, não possui uma função mecânica plausível.

“A estrutura específica do míssil, suas carenagens e acessórios não correspondem a nenhum míssil iraniano que eu tenha conhecimento”, disse Oliver à AFP. “Em particular, a fiação não se assemelha aos conectores encontrados em nenhum míssil balístico, iraniano ou de qualquer outro país, e não parece seguir um caminho lógico, uma falha característica de imagens geradas por inteligência artificial”.

A equipe de checagem da AFP também submeteu o registro viral às plataformas de detecção de IA Hive Moderation e InVID-We-Verify, que apontaram altas chances de manipulação.

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Captura de tela feita em 22 de abril de 2026 do resultado obtido ao submeter a imagem viral às ferramentas Hive Moderation e InVID We-Verify. Símbolos de inteligência artificial (Ai) adicionados pela AFP (.)

Uma consulta ao Google SynthID confirmou que a imagem foi gerada artificialmente com uso de uma das ferramentas de IA da companhia.

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Captura de tela feita em 22 de abril de 2026 do resultado obtido ao submeter a imagem viral ao SynthID. Símbolo de inteligência artificial adicionado (Ai) pela AFP (.)

O AFP Checamos não encontrou informações confiáveis sobre o vídeo do suposto pedido da menina iraniana. Mas, ao submeter a gravação à ferramenta InVID We-Verify, o plugin de verificação também apontou 97% de probabilidade para o uso de IA no material.

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Captura de tela feita em 24 de abril de 2026 do resultado obtido ao submeter o vídeo viral ao InVID We-Verify. Símbolo de IA (Ai) adicionado pela AFP (.)

Embora o míssil iraniano rosa não seja real, há registros de projéteis rosas. Em agosto de 2025, a companhia de defesa ucraniana Fire Point lançou o FP-5 “Flamingo”, contendo nas primeiras versões com uma parte frontal na cor rosa, supostamente em homenagem às mulheres que atuavam na produção.

A equipe da AFP em inglês já verificou anteriormente uma alegação semelhante, de um suposto míssil iraniano em homenagem às vítimas do criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Referências

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