O Japão não anunciou novas leis contra muçulmanos após as eleições de fevereiro de 2026

Em 18 de fevereiro de 2026, a Câmara Baixa do Japão confirmou Sanae Takaichi como primeira-ministra, após sua vitória nas eleições realizadas no início daquele mês. Neste contexto, desde 15 de fevereiro posts com mais de 20 mil interações nas redes sociais afirmavam que o Japão havia aprovado novas leis “anti-islâmicas”, incluindo proibições do halal, de mesquitas grandes e do chamado para a oração. No entanto, embora o partido de Takaichi tenha proposto medidas de imigração mais rigorosas, até o momento não foi anunciada nenhuma lei específica contra o Islã.

“Japão apresenta novas leis anti-islâmicas”, afirmam publicações no Facebook, no Instagram e no X. De acordo com as postagens, o país teria proibido o halal, mesquitas grandes, chamados para oração e preces na rua.

Algumas publicações são compartilhadas junto a um vídeo da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

Conteúdo semelhante também circula em francês, inglês, espanhol e holandês.

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Captura de tela feita em 26 de fevereiro de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

Duas semanas após conquistar uma maioria de dois terços nas eleições antecipadas, em 20 de fevereiro de 2026, a primeira-ministra japonesa prometeu tornar o Japão um país forte e próspero.

No entanto, embora Takaichi seja uma defensora de uma linha dura em questões de imigração, ela não havia proposto nenhuma nova lei concreta contra o Islã até a data de publicação deste artigo.

A equipe da AFP em Tóquio negou a alegação viral e a AFP não encontrou nenhuma notícia na imprensa nacional e internacional sobre a suposta aprovação de leis anti-islâmicas no país.

O programa do Partido Liberal Democrático (PLD), liderado por Takaichi, tampouco contém referências específicas contra o Islã, embora o partido destaque no documento que irá abordar “as preocupações públicas e os sentimentos de injustiça sobre o controle imigratório”.

O vídeo compartilhado juntamente com o conteúdo viral tampouco se refere a medidas contra o Islã, mas sim à dissolução do Parlamento japonês no final de janeiro, antes da realização das eleições.

Na gravação, o presidente da Câmara Baixa leu uma carta anunciando oficialmente a dissolução, enquanto os parlamentares entoaram o tradicional grito de guerra “banzai”.

A Constituição japonesa garante a liberdade religiosa em seu Artigo 20. De acordo com a organização internacional Freedom House, que monitora os padrões democráticos, o país recebeu a pontuação máxima na área de liberdade religiosa. “Não existem barreiras significativas à prática religiosa ou à expressão da ausência de crença”, afirmou a organização.

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