O Japão não anunciou novas leis contra muçulmanos após as eleições de fevereiro de 2026
- Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 18:32
- 1 minutos de leitura
- Por Liesa PAUWELS, AFP Holanda
- Tradução e adaptação Cristina ALONSO PASCUAL, AFP España, Caroline FARAH, AFP Brasil
Em 18 de fevereiro de 2026, a Câmara Baixa do Japão confirmou Sanae Takaichi como primeira-ministra, após sua vitória nas eleições realizadas no início daquele mês. Neste contexto, desde 15 de fevereiro posts com mais de 20 mil interações nas redes sociais afirmavam que o Japão havia aprovado novas leis “anti-islâmicas”, incluindo proibições do halal, de mesquitas grandes e do chamado para a oração. No entanto, embora o partido de Takaichi tenha proposto medidas de imigração mais rigorosas, até o momento não foi anunciada nenhuma lei específica contra o Islã.
“Japão apresenta novas leis anti-islâmicas”, afirmam publicações no Facebook, no Instagram e no X. De acordo com as postagens, o país teria proibido o halal, mesquitas grandes, chamados para oração e preces na rua.
Algumas publicações são compartilhadas junto a um vídeo da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
Conteúdo semelhante também circula em francês, inglês, espanhol e holandês.
Duas semanas após conquistar uma maioria de dois terços nas eleições antecipadas, em 20 de fevereiro de 2026, a primeira-ministra japonesa prometeu tornar o Japão um país forte e próspero.
No entanto, embora Takaichi seja uma defensora de uma linha dura em questões de imigração, ela não havia proposto nenhuma nova lei concreta contra o Islã até a data de publicação deste artigo.
A equipe da AFP em Tóquio negou a alegação viral e a AFP não encontrou nenhuma notícia na imprensa nacional e internacional sobre a suposta aprovação de leis anti-islâmicas no país.
O programa do Partido Liberal Democrático (PLD), liderado por Takaichi, tampouco contém referências específicas contra o Islã, embora o partido destaque no documento que irá abordar “as preocupações públicas e os sentimentos de injustiça sobre o controle imigratório”.
O vídeo compartilhado juntamente com o conteúdo viral tampouco se refere a medidas contra o Islã, mas sim à dissolução do Parlamento japonês no final de janeiro, antes da realização das eleições.
Na gravação, o presidente da Câmara Baixa leu uma carta anunciando oficialmente a dissolução, enquanto os parlamentares entoaram o tradicional grito de guerra “banzai”.
A Constituição japonesa garante a liberdade religiosa em seu Artigo 20. De acordo com a organização internacional Freedom House, que monitora os padrões democráticos, o país recebeu a pontuação máxima na área de liberdade religiosa. “Não existem barreiras significativas à prática religiosa ou à expressão da ausência de crença”, afirmou a organização.
Referências
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