Polícia Civil de Minas Gerais não confirmou que o PT contratou drone que atacou militantes

Copyright © AFP 2017-2022. Todos os direitos reservados.

Várias publicações afirmam que a Polícia Civil de Minas Gerais teria identificado que o ataque usando um drone durante um ato de campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) teria sido encomendado pela própria legenda. A alegação, compartilhada centenas de vezes nas redes sociais desde 23 de junho de 2022, se refere ao ocorrido durante um evento na cidade mineira de Uberlândia em 15 de junho. O Ministério Público Federal de Minas Gerais, órgão encarregado da investigação, disse à AFP que, até o momento, não há nenhuma indicação de que o drone tenha sido contratado por uma empresa ligada ao partido.

“O PT CONTRATOU O DRONE PARA JOGAR BOSTA NOS PRÓPRIOS APOIADORES!!!! SURREAL!”, lê-se na captura de tela de uma publicação que circula no Facebook (1, 2, 3) e Twitter (1) .

O texto compartilhado indica: “A polícia civil de MG já identificou o proprietário do Drone, uma empresa de propaganda contratada pelo PT, o operador disse que recebeu ordens de fazer isso, para ser filmado e usar as imagens para fazer propagando política”.

As alegações também circulam em um vídeo (1, 2, 3) no qual um homem narra o supostamente acontecido e encerra: “A polícia prendeu os caras e derrubou o esquema”.

O episódio mencionado faz referência ao drone que foi usado para atacar apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), durante um ato de campanha em Uberlândia em 15 de junho.

Combinação de capturas de telas feita em 27 de junho de 2022 de publicações no Twitter ( . / )

Uma pesquisa no site da polícia mineira sobre a suposta nota não mostra nenhum conteúdo relacionado ao tema. Contatada por e-mail pelo Checamos, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que as informações compartilhadas “são improcedentes”, já que as investigações estão a cargo do Ministério Público Federal (MPF).

Os drones são considerados aeronaves não tripuladas e regulamentados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

De acordo com o regulamento da Agência, “aeromodelos são as aeronaves não tripuladas remotamente pilotadas usadas para recreação e lazer e as aeronaves remotamente pilotadas (RPA) são as aeronaves não tripuladas utilizadas para outros fins como experimentais, comerciais ou institucionais” e, portanto, a atribuição de investigar é de competência da Justiça Federal, conforme informou a Polícia Civil.

O Ministério Público Federal de Minas Gerais (MPF-MG) informou à AFP que a “investigação está em sua fase inicial”, mas que, “segundo o apurado até o momento, não há nenhuma indicação que sustente tais ilações”.

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT), um dos coordenadores da pré-campanha de Lula no estado mineiro, entregou ao procurador-geral de Justiça de Minas Gerais uma representação criminal denunciando por lesão corporal os autores que jogaram as substâncias nos militantes.

Na denúncia, menciona “simpatizantes do presidente da República”, Jair Bolsonaro, e não uma “empresa de propaganda contratada pelo PT”, como indicam as publicações viralizadas.

Uma busca pelas palavras-chave “drone”, “empresa”, “Lula” e “PT” não mostram nenhum conteúdo ou evidências de uma empresa de propaganda contratada pelo partido para tais fins.

Eleições 2022