Médico examina uma mulher infectada com varíola do macaco na República Democrática do Congo, em 18 de outubro de 2018 ( AFP / Charles Bouessel)

A varíola do macaco foi descoberta em 1958 e um surto maciço ocorreu nos EUA em 2003

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Publicações afirmando que “um novo vírus” estaria começando a se espalhar pelo mundo, em referência ao aumento de casos de varíola do macaco registrado na Europa e na América do Norte, foram compartilhadas dezenas de vezes nas redes sociais, pelo menos, desde 18 de maio de 2022. No entanto, o vírus causador dessa doença não é recente, ele foi detectado pela primeira vez em 1958 em colônias de macacos e, em 1970, o primeiro caso em humanos. Antes do surto de 2022, havia registro de infecções em vários países africanos, assim como no Reino Unido, Estados Unidos, Israel e Singapura.

“Há um novo virus a circular, o MonkeyPox!! Nas TVs teremos programas especiais de várias horas, especialistas novos e reciclados, telejornais de 1h a falar 55minutos sobre o assunto, e muito mais.Tudo isso em 3, 2, 1 ....”, escreveu um usuário no Twitter (1, 2). O conteúdo também tem sido compartilhado no Facebook (1, 2).

Alegação semelhante também circula em espanhol.

Captura de tela feita em 24 de maio de 2022 de uma publicação no Facebook ( . / )

Em 20 de maio de 2022, dezenas de casos humanos de varíola do macaco foram detectados na América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e Europa (Reino Unido, Espanha, Portugal, Suécia, Itália e França). No entanto, eles não são os primeiros casos no mundo.

A varíola do macaco foi descoberta em 1958, quando dois surtos foram relatados em colônias de macacos usados para pesquisa; daí a origem do nome da doença.

O primeiro caso dessa varíola em humanos foi registrado em 1970 na República Democrática do Congo. Desde então, casos esporádicos surgiram em partes da floresta tropical da África central e ocidental, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS explica que trata-se de "uma doença rara" que é transmitida às pessoas principalmente por animais selvagens, como roedores e primatas, mas sua transmissão entre humanos é limitada. Seus sintomas são febre, dor de cabeça, linfonodos inchados, dores musculares e falta de energia.

Também apresenta um período de erupções cutâneas que atingem primeiro o rosto e se espalham para o resto do corpo, principalmente nas palmas das mãos e solas dos pés.

A taxa de letalidade da varíola do macaco, ainda de acordo com a OMS, é de entre 1 e 10%, principalmente entre crianças e jovens. Mas esta doença é 85% evitável com a vacinação contra a varíola, acrescenta a agência de saúde.

Casos em meio século

Desde 1970, a República Democrática do Congo é o único país que registra mais de 1.000 casos da doença por ano. Em outros países africanos, como Camarões, Costa do Marfim, Gabão, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, também foram relatados casos desta doença em humanos.

Nos Estados Unidos, um surto de 47 pessoas em cinco estados foi identificado em 2003. Esses foram os primeiros casos registrados fora da África, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Além disso, antes de 2022, casos foram relatados em três ocasiões no Reino Unido, em 2018, 2019 e 2021; em Israel em 2018; em Singapura em 2019 e novamente nos Estados Unidos, desta vez em 2021.

A equipe de checagem da AFP já verificou (1, 2) outras peças de desinformação relacionadas à varíola.

1 de junho de 2022 Adiciona metadados.
Varíola do macaco