Não há registro de suposta matéria do G1 dizendo que Suzane von Richthofen declarou voto em Lula

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A captura de tela de uma suposta reportagem do portal de notícias G1, segundo a qual o meio afirmou que Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002, teria declarado apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições gerais de outubro de 2022 circula nas redes sociais. O conteúdo foi compartilhado mais de 1.600 vezes desde 1º de abril passado. Mas não há registro de tal notícia e a equipe do G1 negou haver publicado essa informação.

“Na faculdade, Suzane von Richthofen incentiva jovens a regularizar o título de eleitor e declarar voto em Lula”, diz o título do suposto artigo compartilhado no Instagram e Twitter.

“Sujeitos que matam os próprios próprios país são típicos eleitores do Lula”, escreveu um usuário ao publicar o mesmo conteúdo no Facebook.

Captura de tela feita em 2 de abril de 2022 de uma publicação no Twitter

Protagonista de um crime amplamente conhecido no Brasil, Von Richthofen foi condenada por ter participado do homicídio de seus pais em 2002, quando tinha 18 anos, juntamente com os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. Desde outubro de 2015, ela vem cumprindo a pena em regime semiaberto.

O ex-presidente Lula é pré-candidato às eleições presidenciais de outubro de 2022. O atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), também disputará a reeleição.

Reportagem sem registro

Em uma busca no Google pelo título da suposta matéria viralizada, a AFP não obteve resultados.

Também foi realizada uma pesquisa diretamente no site do G1 por reportagens sobre Von Richthofen, mas não foi encontrado nenhum artigo sobre uma suposta campanha para jovens regularizarem seus títulos eleitorais nem sobre o suposto apoio ao ex-presidente Lula. O portal, inclusive, desmentiu a suposta notícia em uma verificação.

Nas redes sociais do G1 (1, 2, 3) tampouco foi encontrada qualquer notícia sobre um envolvimento de Von Richthofen com a atuação política de Lula.

À AFP, a equipe do G1 do Vale do Paraíba e Região, que supostamente teria publicado a reportagem, confirmou que “nenhum material com essa manchete” foi publicado no portal, afirmaram.

O Checamos também não identificou em outros jornais ou portais de notícias informações sobre uma suposta campanha liderada por Von Richthofen para que jovens regularizem seus títulos eleitorais nem sobre a declaração de que votaria em Lula no pleito de 2022.

Na verdade, devido à condenação, Von Richthofen está com seus direitos políticos suspensos, conforme o artigo 15 da Constituição, o que faz com que ela não possa votar em qualquer candidato até o fim do cumprimento da pena.

Outros conteúdos envolvendo questões políticas e Suzane von Richthofen já foram verificados pela AFP (1, 2), assim como sobre as eleições de 2022 no Brasil.

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