Argentina e Venezuela pagam auxílio emergencial e Cuba cobre salários durante a pandemia

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Publicações compartilhadas milhares de vezes em redes sociais desde meados de setembro asseguram que Cuba, Argentina e Venezuela não possuem qualquer subsídio financeiro para ajudar sua população durante a pandemia de covid-19, ao contrário do auxílio emergencial brasileiro. No entanto, todos estes países implementaram alguma garantia: na Argentina e na Venezuela, paga-se um bônus e em Cuba, o governo garante o pagamento de salários.

“Auxílio Emergencial. Cuba: 00,00. Argentina: 00,00. Venezuela: 00,00. Brasil: 600,00. Onde estão os socialistas tão ‘preocupados’ com os pobres????”, diz o texto compartilhado mais de 6.500 vezes no Facebook (1, 2, 3, 4) ao menos desde o último dia 9 de setembro.

A alegação, publicada também no Twitter, circula dias após o presidente Jair Bolsonaro anunciar a prorrogação do auxílio emergencial pago desde 9 de abril a trabalhadores informais, microempreendedores e desempregados afetados pela pandemia de covid-19.

O valor, inicialmente de R$ 600 mensais, foi reduzido em 1º de setembro para quatro parcelas de R$ 300, que serão pagas até dezembro, o que desencadeou críticas da oposição.

Captura de tela feita em 16 de setembro de 2020 de uma publicação no Facebook

Não é verdade, contudo, que os países citados nas publicações viralizadas não estejam ajudando financeiramente sua população durante a crise do novo coronavírus.

Argentina

Na Argentina, o “Ingreso Familiar de Emergencia” (IFE), um bônus de 10.000 pesos - o equivalente a R$700 - começou a ser pago pelo governo no último dia 21 de abril, a trabalhadores informais ou desempregados de entre 18 e 65 anos que não possuíam aposentadorias, pensões ou outros tipos de rendas fixas.

O benefício tem como objetivo “compensar os setores mais vulneráveis das consequências econômicas da quarentena imposta devido à emergência sanitária criada pelo novo coronavírus”, como detalhado pela Administração Nacional de Previdência Social da Argentina (ANSES).

“Fechamos definitivamente. 80 dias fechado. Foi impossível de sustentar. Obrigada a todos por estes anos”, diz cartaz em Buenos Aires, em 17 de junho de 2020

O valor, planejado inicialmente como uma parcela única, foi prorrogado pelo governo em 1º de junho, visando alcançar as “quase 9 milhões de pessoas que o receberam da primeira vez”, ou cerca de 20% da população, destacou o secretário de Política Econômica Argentina, Haroldo Montagu.

Em agosto, o benefício foi renovado novamente, com o terceiro pagamento começando no dia 10.

Segundo o governo, apenas a primeira parcela do IFE teria evitado um aumento de entre 4 e 7 pontos percentuais da pobreza no país.

Venezuela

De maneira semelhante, o governo venezuelano implementou, em 24 de março, o bônus “Quédate En Casa” (Fique em Casa, em tradução livre), “como complemento salarial, em apoio aos trabalhadores do setor privado, principalmente das pequenas e médias empresas, e de instituições em geral que paralisaram o trabalho em cumprimento da quarentena social e coletiva”.

O auxílio, que visa também trabalhadores autônomos, alcançaria, segundo o governo, mais de 6 milhões de pessoas, pouco mais de 20% da população. Após o primeiro pagamento, o bônus foi renovado em abril, maio, junho, julho e agosto.

Pessoas usam máscaras de proteção em Caracas, em 25 de agosto de 2020

O governo venezuelano não divulga o valor do benefício mas, segundo reportado pela mídia local, o bônus foi de 550.000 bolívares em maio, o equivalente a cerca de 2,85 dólares segundo o câmbio oficial na data em que a matéria foi publicada.

O país tem sofrido uma hiperinflação - chegando a 4.099% em 12 meses, até julho - e uma consequente desvalorização da moeda local.

Em março, o governo também anunciou que iria assumir as folhas de pagamento das pequenas e médias empresas “como parte dos planos estabelecidos pelo Executivo para proteção do povo venezuelano em meio ao surto de covid-19 no país”. A medida foi ratificada em junho deste ano.

Cuba

Em Cuba, frente à paralisação das atividades comerciais devido à pandemia, o governo recomendou que os empregadores priorizassem a realocação de seus trabalhadores em outras atividades, dentro ou fora da entidade.

No entanto, caso isso não fosse possível, o governo anunciou no final de março que iria garantir, no setor público, o pagamento de 100% do salário básico dos trabalhadores durante o primeiro mês, e após este período, de 60% da remuneração habitual durante todo o período de paralisação.

Cuba fornece, ainda, desde 1962, uma porção mensal de alimentos a toda a população. O benefício foi mantido durante a pandemia.

Em resumo, tanto a Argentina, quanto a Venezuela têm pago auxílios financeiros para ajudar parte da população durante as paralisações impostas devido à pandemia de covid-19. Cuba não possui um bônus deste tipo, mas têm garantido ao menos 60% dos salários de seus trabalhadores, além de fornecer uma porção de alimentos a toda a população.

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