TSE não anunciou novas urnas eletrônicas para eleições de 2026

Desinformação sobre o processo eleitoral tem crescido no debate público com a aproximação das eleições de outubro. Desde o final de junho, publicações visualizadas mais de 150 mil vezes nas redes sociais asseguram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que irá adotar novos modelos de urna eletrônica para a votação. Isso é falso. A eleição deste ano será realizada com quatro modelos de urna, todos já utilizados em pleitos anteriores.

“TSE anuncia novas urnas, auditoria do código-fonte e presença internacional para as eleições de 2026”, dizem publicações compartilhadas no TikTok, no Instagram, no Facebook e no X

Conteúdo semelhante circula no Kwai. Nos comentários das postagens, usuários elogiam as supostas mudanças e indicam que se essas medidas tivessem sido realizadas no passado, não teriam ocorrido “fraudes” — ecoando alegações infundadas de irregularidades eleitorais.

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Captura de tela feita em 3 de agosto de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

Em junho de 2026, o TSE abriu uma consulta pública para definir as especificações de uma nova geração de urnas eletrônicas. O edital convida empresas e fabricantes a apresentarem sugestões técnicas para o aperfeiçoamento dos futuros equipamentos.

Mas os modelos serão utilizados somente a partir dos pleitos de 2028. Não houve qualquer anúncio sobre o uso de novas máquinas nas eleições deste ano. 

Como informado pela Corte em nota de julho de 2026, os modelos utilizados na votação de 2026 serão: UE2022, UE2020, UE2015 e UE2013.

Informações públicas mostram que todos esses modelos já foram utilizados em pleitos anteriores. 

Segundo o TSE, a utilização de diferentes modelos de urnas eletrônicas ocorre em todas as eleições. 

“A substituição dos equipamentos ocorre de forma gradual e planejada, sendo que, em média, cada urna eletrônica é utilizada em seis eleições”, informa o Tribunal. 

Inspeção do código-fonte

O conteúdo viralizado sugere que uma “novidade” do pleito eleitoral de 2026 seria a auditoria do código-fonte, mas a abertura dos códigos-fonte da urna eletrônica e a inspeção dos sistemas eleitorais está prevista na legislação. 

A Lei das Eleições, de 1997, determina que os “programas-fonte” dos equipamentos devem ficar disponíveis para análise e, desde 2002, isso é realizado pela Justiça Eleitoral. 

Checagens da AFP (1, 2), já mostraram que desde 2022, o código-fonte das urnas eletrônicas é aberto um ano antes das eleições. A cerimônia de abertura para as eleições de 2026 foi realizada em outubro de 2025

Todo o processo de fiscalização do sistema eletrônico de votação é regulamentado pela Resolução do TSE nº 23.673 de 2021 que prevê outros mecanismos de inspeção, como o Boletim de Urna (BU), Registro Digital do Voto (RDV) e testes de integridade.

Presença de observadores internacionais

O conteúdo compartilhado nas redes também sugere incorretamente um ineditismo na  presença de observadores internacionais durante o pleito. 

Ao longo dos anos, o Brasil tradicionalmente recebeu embaixadores, observadores e visitantes internacionais para as eleições. 

Em 2021, o TSE elaborou uma resolução estabelecendo regras sobre as missões estrangeiras, compostas por representantes de governos, organizações e instituições de ensino superior. 

Nas últimas eleições presidenciais, em 2022, diferentes grupos internacionais acompanharam o pleito. O mesmo ocorrerá (1, 2) em 2026, “de forma técnica, imparcial e independente”, afirmou o TSE.

De acordo com a Corte, a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia, o Parlamento do Mercosul (Parlasul), a União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore) e a Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP) já aceitaram compor a Missão de Observadores Eleitorais (MOEs) do pleito de outubro de 2026.

O Checamos já publicou outros artigos sobre o sistema eletrônico de votação no Brasil (1, 2). 

Este conteúdo também foi verificado pela Agência Lupa e Aos Fatos

Referências

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