Pedido de impeachment contra Gilmar Mendes foi apresentado, mas não foi acolhido

Em abril de 2026, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) entrou em embate com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Em apoio a Zema, parlamentares de oposição pediram o impeachment do magistrado. Mas não é verdade que Zema tenha “conseguido o impeachment” de Mendes, ao contrário do que afirmam publicações que ultrapassam 112 mil interações nas redes. Até 27 de maio, o pedido não foi acolhido e não há um processo em curso. A alegação foi compartilhada por uma rede coordenada que publica conteúdos infundados em busca de cliques.

Zema consegue impeachment de Gilmar Mendes”, dizem publicações no Facebook, no Instagram, no Threads, no TikTok e no Kwai

De acordo com as postagens, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) teria se sentido mal com a suposta notícia e sido encaminhado a um hospital.

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Captura de tela feita em 26 de maio de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

Em abril de 2026, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo) publicou, em suas redes sociais, uma série de vídeos intitulada “Os Intocáveis”, com sátiras de personagens da política nacional e críticas a supostas práticas de corrupção. Políticos e magistrados eram representados, na série, por bonecos no estilo fantoche.

No segundo vídeo da série, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes foi representado como alguém que estaria trabalhando para encobrir escândalos do Banco Master em troca de cortesias no resort Tayayá, ligado à família do ministro Dias Toffoli.

Mendes reagiu à publicação com um pedido de inclusão do nome de Romeu Zema no inquérito das fake news, aberto há 7 anos sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

O embate público entre Zema e Gilmar Mendes levou parlamentares apoiadores do ex-governador a protocolar um pedido de impeachment contra o ministro do STF. A solicitação foi apresentada pelo deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) em 22 de abril.

No entanto, o pedido não foi acolhido e o processo de impeachment não foi iniciado.

O próprio deputado Cabo Gilberto Silva afirmou, na data em que apresentou o pedido, que não havia maioria no Senado para dar seguimento à solicitação.

De acordo com a Constituição Federal, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crime de responsabilidade. Mas um pedido de impeachment desse tipo nunca foi aprovado.  Até 28 de maio, o site do Senado Federal não exibia qualquer informação sobre o pedido protocolado em 22 de abril contra Mendes.

Tampouco há qualquer registro na imprensa de que o magistrado tenha se sentido mal ou buscado atendimento de saúde entre abril e maio de 2026, como alegam algumas das publicações.

Trecho descontextualizado

Entre as publicações que exibem a alegação falsa, algumas veiculam um trecho de uma entrevista dada por Romeu Zema em que o ex-governador descreve uma pessoa como “talvez o maior criminoso da história do país”.

Mas, na verdade, naquele momento, Zema falava do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, durante uma coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados.

Na ocasião, parlamentares de oposição defenderam Zema no embate contra Gilmar Mendes e falaram sobre o pedido de impeachment apresentado contra o ministro.

Conteúdo feito por IA e disseminado em rede de desinformação

As publicações falsas exibem imagens feitas por inteligência artificial. Uma delas, por exemplo, mostra Gilmar Mendes deitado no chão enquanto chora. Teste conduzido na ferramenta de detecção de IA Hive Moderation aponta 99,9% de chance de o conteúdo ter sido gerado de forma sintética.

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Captura de tela de teste de detecção de IA na ferramenta Hive Moderation (.)

As publicações foram compartilhadas por ao menos 12 perfis no Facebook que seguem o padrão de disseminar alegações sensacionalistas e direcionar os leitores para sites (1, 2) com mais informações sobre o assunto. 

Os sites publicam massivamente conteúdos sem embasamento e parecem lucrar com anúncios monetizados.

Ao menos quatro desses 12 perfis já haviam sido identificados em uma reportagem da Agência Lupa que documentou uma rede de notícias falsas que usa anúncios com apelo religioso no Facebook para ampliar o alcance de suas publicações.

Referências

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