Foto de suposto ataque iraniano a prédio da Microsoft em Israel foi gerada por IA
- Publicado em 19 de março de 2026 às 18:44
- 4 minutos de leitura
- Por Lizeth ROMAN
- Tradução e adaptação AFP Brasil
O Irã lançou ataques contra alvos industriais e diplomáticos no Oriente Médio em resposta à ofensiva militar comandada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro de 2026. Neste contexto, uma imagem soma mais de 19 mil interações nas redes sociais supostamente mostrando um ataque iraniano contra um edifício da empresa Microsoft na cidade de Beersheba, em Israel. Porém, o registro foi criado com uso de inteligência artificial (IA).
“MICROSOFT SOB MÍSSEIS: O CORAÇÃO TECNOLÓGICO DE BEER SHEVA É ATINGIDO! (...) Fontes iranianas afirmam que estes centros colaboram estreitamente com os militares em sistemas de IA e ciberdefesa. Ao atacar aqui, o Irã está a enviar uma mensagem clara às empresas multinacionais: ‘A sua presença em zonas de conflito tem um preço’, dizem posts que acompanham a imagem viral no Facebook e no Instagram.
Postagens semelhantes circulam em inglês, árabe e espanhol.
A fotografia mostra um prédio com o nome da empresa destruído e em chamas. Na parte inferior da imagem, uma suposta manchete de um telejornal, em inglês, informa: “Últimas notícias. Irã ataca parque científico de Beersheba. Edifício da Microsoft é atingido em ataque”.
Em 9 de março, o Irã lançou ataques contra Israel e países do Golfo Pérsico após a eleição do aiatolá Mojtaba Khamenei, que substituiu seu pai, Ali Khamenei, no cargo de líder supremo do país.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a República Islâmica têm realizado retaliações por todo o Oriente Médio. No último dia 10 de março, o ministro das Relações Exteriores do Irã comunicou que não negociará mais com a Casa Branca e que os contra-ataques com mísseis seguirão pelo tempo que for necessário.
Porém, a foto do suposto ataque iraniano contra o prédio da Microsoft não é autêntica.
Uma busca por palavras-chave no portal Who Posted What, que permite fazer pesquisas nas redes sociais por datas específicas, levou a uma publicação no perfil “Irã em árabe”, com uma versão extendida da imagem exibindo a mensagem de que foi “gerada com IA”.
O material foi compartilhado pela conta em três ocasiões (1, 2, 3), todas em 2 de março, com a mesma legenda, em árabe: “Urgente || Canal 11: Irã bombardeou o complexo científico de Beersheba, onde se encontram as principais empresas multinacionais, entre elas a Microsoft”.
A página costuma publicar conteúdos produzidos por IA. Muitos exibem imagens de supostos ataques a edifícios norte-americanos e o mesmo formato noticioso da postagem viral (1, 2, 3).
O registro viralizado também contém inconsistências características deste tipo de tecnologia, por exemplo: os rostos das pessoas parecem escuros e os braços e mãos de duas não são proporcionais.
Além disso, o modelo e a posição do logotipo da Microsoft não correspondem às fotos do edifício em Beersheba, feitas em 2 de fevereiro de 2025 e armazenadas na plataforma Dreamstime (1, 2). Nessas imagens, o letreiro da empresa é menor e está localizado na outra extremidade do prédio.
A equipe de checagem da AFP também submeteu o material à ferramenta de detecção de IA InVID-WeVerify, que mostrou 93% de probabilidade de manipulação.
A Microsoft opera em cinco locais de Israel: Herzliya, Haifa, Tel Aviv, Beersheba e Nazaré.
Uma pesquisa no Google não levou a nenhuma reportagem sobre um ataque à sede da empresa em Beersheba, supostamente ocorrido em 2 de março.
A busca somente retornou registros de um atentado iraniano contra um parque tecnológico da cidade israelense, onde se localiza o edifício da Microsoft, em junho de 2025 (1, 2).
Nenhuma menção ao suposto ataque, tampouco à foto viral, foi encontrada por meio de uma busca por palavras-chave em hebraico no portal oficial e nas redes sociais do canal estatal 11 de Israel (1, 2, 3). A AFP só encontrou reportagens de anos anteriores sobre a Microsoft ter reportado ciberataques iranianos contra Israel e Estados Unidos (1, 2).
O AFP Checamos já verificou outras alegações sobre a guerra no Oriente Médio em 2026.
Referências:
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