Programa Pânico não teve presença de “fiscal do TSE”; a ação foi um protesto durante a transmissão

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O homem que aparece circulando entre os apresentadores do Programa Pânico, da Jovem Pan, não é um fiscal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Publicações com o vídeo que mostraria a cena soma mais de meio milhão de visualizações desde 19 de outubro de 2022. No entanto, segundo a emissora informou à AFP, a ação vista nas imagens foi organizada pelo próprio programa como “protesto” contra uma decisão da corte. O TSE negou que o homem tenha qualquer ligação com o órgão.

“Ditadura! Fiscal do TS* circula pelo programa pânico ao vivo”, diz uma das publicações que circula no Twitter, Facebook, Instagram, Telegram e Kwai.

Na gravação, vê-se um homem de terno preto andando atrás dos integrantes do Programa Pânico, que parece conferir os papéis que eles seguram. Durante a suposta “fiscalização”, as pessoas sentadas à bancada demonstram estar incomodadas com a ação.

O conteúdo também chegou ao WhatsApp do AFP Checamos, para onde os usuários podem enviar conteúdos vistos em redes sociais, se duvidarem de sua veracidade.

Captura de tela feita em 20 de outubro de 2022 de uma publicação no Twitter ( .)

O programa em questão foi ao ar no último dia 19 de outubro e pode ser conferido em seu canal no YouTube.

Procurada pelo AFP Checamos no dia seguinte, a Jovem Pan explicou que a intervenção foi organizada por eles próprios para “manifestar sua posição crítica” a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que “tais instrumentos” foram usados por se tratar de um programa de humor.

A emissora se referia à decisão do tribunal que determinou, em 18 de outubro, a proibição de novas inserções com falas consideradas ofensivas ou distorcidas sobre o ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a Presidência no segundo turno com o candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). A ação foi ajuizada pela coligação “Brasil da Esperança”, do petista, e acatada pelo TSE.

Segundo a definição da Justiça Eleitoral, a emissora tratava de maneira “privilegiada” a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) e recebia “robustos recursos” do governo federal para “veicular publicidade institucional em patamares muito superiores ao do último ano do mandato de Michel Temer”.

Através do site Fato ou Boato, onde a Justiça Eleitoral desmente informações falsas envolvendo a corte, o TSE também negou que o homem visto nas imagens seria um fiscal ou que trabalhasse de qualquer outra maneira para o órgão.

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