Contagem de votos nas eleições não é feita por empresa privada e votos não ficam “na nuvem”

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o responsável pela contagem de votos nas eleições brasileiras, que são totalizados em supercomputadores físicos. Apesar disso, publicações que alegam que essa totalização é feita por uma “empresa terceirizada” e que os votos seriam armazenados em uma “nuvem” foram compartilhadas mais de 1,5 mil vezes nas redes sociais desde 18 de julho de 2022. Na verdade, a companhia Oracle foi contratada pelo TSE para fornecer dois supercomputadores que armazenam os dados, mas quem controla os equipamentos é o tribunal.

“Uma empresa TERCEIRIZADA faz a contagem dos votos, mas as Forças Armadas não pode…”, diz o trecho de uma das publicações compartilhadas no Twitter (1, 2) e no Facebook. “Quer dizer que os votos é contado por uma nuvem dum super computador terceirizado”, indica outra publicação.

As alegações viralizaram após o encontro do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores em 18 de julho de 2022, durante o qual o mandatário buscou descredibilizar a Justiça Eleitoral e as urnas eletrônicas apresentando elementos que supostamente justificariam a desconfiança.

Capturas de tela feitas em 19 de julho de 2022 de publicações no Twitter ( . / )

Durante sua apresentação, foi exibido o trecho de uma coletiva do então presidente do TSE e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, realizada em 17 de novembro de 2020.

Na ocasião, um jornalista perguntou ao magistrado sobre a empresa que faz a manutenção do supercomputador que computa os votos. Barroso passou a palavra para o então secretário de tecnologia da informação do TSE Giuseppe Janino, que falou sobre a contratação da Oracle por parte do Tribunal.

Em determinado momento, o secretário diz: “Esse computador é instalado por meio de um serviço. Ele faz justamente esse papel da ‘nuvem computacional’”.

Votos na nuvem?

Em 2020, o TSE explicou que a totalização dos votos é feita através do serviço “Cloud at Customer” da companhia Oracle, que consiste na cessão, por quatro anos, “de dois computadores (um principal e um redundante, para ser usado em caso de falhas) (...) apelidados de supercomputadores”.

Já o termo “nuvem computacional”, usado pelo ex-secretário do TSE, é ligado à ciência da computação e se refere a um conjunto de recursos computacionais, como armazenamento de dados, que são utilizados sem serem gerenciados diretamente, conforme explicou ao Checamos Jéferson Campos Nobre, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“O que o ex-secretário quis fazer [ao citar o termo nuvem computacional], provavelmente, foi aludir ao grande poder computacional [desses dois supercomputadores]. Por isso ele fala ‘fazem o papel de uma nuvem’, porque geralmente a gente pensa na nuvem como algo que tem um grande poder computacional”, apontou o docente.

Os votos dos eleitores, portanto, não são totalizados em um serviço de “nuvem” fornecido pela empresa Oracle, e sim por dois supercomputadores físicos que ficam nas dependências do Tribunal e que são controlados pelo TSE, como é mostrado no vídeo abaixo:

Nesse sentido, Campos Nobre resumiu:

Além disso, o professor da UFRGS também ressaltou que, para as eleições de 2022, o TSE se comprometeu a divulgar os boletins de urna - que permitem a realização da totalização dos votos pelo público em geral de forma paralela ao que é feito no Tribunal - logo após o encerramento da votação.

Dessa forma, entidades podem fazer a somatória de forma independente da Justiça Eleitoral de maneira simultânea e já no dia do pleito.

21 de julho de 2022 Acrescenta link no 3º parágrafo
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