Uma tela de telefone exibe a conta do Twitter de Elon Musk com uma foto dele ao fundo, em 14 de abril de 2022, em Washington, DC ( AFP / Olivier Douliery)

Manchete sobre Elon Musk e ameaça à liberdade de expressão é uma sátira e não foi ao ar na CNN

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Uma imagem que supostamente mostra uma reportagem da emissora norte-americana CNN afirmando que o empresário Elon Musk poderia ameaçar a liberdade de expressão no Twitter caso permitisse que as pessoas falassem livremente foi compartilhada mais de 4.500 vezes em redes sociais ao menos desde 9 de abril de 2022. A captura de tela começou a circular dias após o multi-milionário se tornar o maior acionista do grupo de tecnologia californiano. Mas a imagem foi feita por um site satírico e jamais foi ao ar na referida emissora. 

“Elon Musk poderia ameaçar a liberdade de expressão se literalmente permitir que as pessoas falem livremente”, diz a suposta manchete que é acompanhada por uma imagem do apresentador da CNN Don Lemon, e pela logo da companhia, no Facebook. “É literalmente o ‘liberdade é escravidão’ do 1984 de George Orwell”, comentaram usuários ao compartilhar o mesmo conteúdo no Twitter.

Captura de tela feita em 14 de abril de 2022 de uma publicação no Twitter ( . / )

Elon Musk - fundador da companhia de carros elétricos Tesla e da empresa aeroespacial SpaceX -  tornou-se no último dia 4 de abril de 2022 o principal acionista do Twitter. Após desistir de integrar o conselho de administração da empresa, o multi-milionário propôs em 14 de abril de 2022 comprar o restante da companhia por mais de 40 bilhões de dólares. 

Musk é um crítico do Twitter, questionando frequentemente a empresa sobre questões como a liberdade de expressão. Por meio da rede social, ele indagou, em 26 de março, se seria necessário que uma nova plataforma fosse criada.

Dias depois do primeiro anúncio, usuários no Twitter passaram a compartilhar a imagem da suposta transmissão da CNN alegando que Musk ameaçaria a liberdade de expressão caso permitisse que as pessoas falassem livremente na rede. Mas trata-se de uma montagem satírica.

Por meio de uma busca no Google pela manchete em inglês ("Elon Musk could threaten free speech on Twitter by allowing people to speak freely"), o Checamos chegou ao portal que fez originalmente a publicação: o Genesius Time. 

De fato, nas imagens compartilhadas nas redes é possível ver a assinatura do Genesius Times abaixo da manchete viralizada.

No site, a imagem é acompanhada por um texto com tom satírico, composto por frases como: “Alguns funcionários do Twitter temem que Musk possa levar a companhia a uma direção maluca, permitindo que as pessoas tuítem coisas que vão contra a narrativa atualmente aprovada”. 

Ao pé da página, uma mensagem, em inglês, confirma o objetivo satírico do portal: “Nos esforçamos para fornecer as notícias falsas mais atualizadas e precisas na Internet. Nossa equipe de jornalistas, hacks e escritores famintos só quer uma coisa: fazer você rir e/ou chorar.” 

Captura de tela feita em 14 de abril de 2022 do portal Genesius Time ( . / )

No site, é possível identificar diversas outras publicações em tom satírico, como:“Homens normais CIS são na verdade homens trans presos nos corpos de mulheres trans” e “Pelosi testa positivo para COVID mas está assintomática devido a todo o álcool em seu sangue”

Uma pesquisa no Google por palavras-chave não leva a nenhum registro de que a CNN tenha transmitido uma reportagem semelhante à citada nas redes.  

Procurado pela equipe de checagem da AFP em 29 de abril, um porta-voz da emissora afirmou que a captura de tela viralizada é “obviamente falsa”. “A fonte está completamente errada e a manchete não está alinhada ao logo”, acrescentou.

Uma busca reversa adicional pela captura de tela indicou que a imagem do apresentador Don Lemon foi retirada de uma aparição feita em janeiro de 2020, quando o jornalista deu explicações por ter gargalhado em um painel cujo assunto era o então Presidente Donald Trump e o sotaque sulista de seus apoiadores.

O Checamos já verificou outros conteúdos desinformativos relacionados à CNN (1, 2, 3).

29 de abril de 2022 Atualiza com posicionamento da CNN