Não, as três principais rosáceas de Notre-Dame não foram destruídas no incêndio

Várias publicações nas redes sociais afirmam que as três grandes rosáceas da catedral de Notre-Dame, em Paris, quebraram durante o incêndio que consumiu parte da construção em 15 de abril de 2019. Mas isto é falso, segundo informou o porta-voz da catedral gótica, André Finot.

“Vitrais destruídos de Notre-Dame” e “Destruída. Rosace nord de Notre-Dame de Paris. Meu coração chora. A fórmula medieval dos vitrais foi perdida, nunca mais”, dizem duas publicações no Facebook.

Enquanto isso, outros usuários no Twitter também lamentavam: “Os vitrais perfeitos de Notre Dame que nunca verei. Triste demais!” (1), “Vitrais espetaculares de Notre Dame viraram caquinhos” (2) e “Eu me recuso a clicar nos vídeos de Notre-Dame. Me recuso. Só de pensar naqueles vitrais derretidos pelo fogo, na história perdida e nas lembranças da obra de Victor Hugo, meu coração se despedaça. Que coisa pavorosa e inacreditável!” (3).

Além de em português, a suposta perda das rosáceas circulou em espanhol ( 1, 2, 3 e 4), inglês (1 e 2) e francês. Alguns tuítes em espanhol (1 e 2) citam, inclusive, a emissora pública espanhola TVE como fonte da informação, mas não colocam nenhum link ao seu site, nem a um tuíte que o demonstre.

 

Combinação de fotos feita em 17 de abril de 2019 com capturas de tela do Twitter mostra as publicações sobre os vitrais de Notre-Dame

Entretanto, o próprio porta-voz da catedral de Notre-Dame, André Finot, desmentiu à emissora BFMTV que os vitrais tivessem sido destruídos (a partir dos 29 segundos do vídeo).

“Segundo o que eu pude ver (…) os vitrais não foram afetados, as três belas rosáceas de Notre-Dame que datam dos séculos XII e XIII seguem ali, e esta manhã via-se que não haviam queimado”, afirmou o porta-voz da catedral em 16 de abril.

“São os vitrais do século XIX, muito menos importantes (…), os que foram afetados. (…) Portanto, é como um milagre, ficamos muito aliviados”, acrescentou.

Uma das rosáceas da catedral de Notre-Dame, em 16 de abril de 2019, um dia depois do incêndio

O site da catedral conta a origem e a história de várias das obras e de seu interior.

A AFP fez uma matéria na qual citou a resistência das rosáceas medievais, assim como outros meios de comunicação internacionais (1, 2, 3, 4 e 5).