Não, caminhoneiros não anunciaram parar o país se houver fraude nas urnas

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Postagens nas redes sociais anunciam uma suposta paralisação por parte de 450 grupos de caminheiros caso ocorra fraude no segundo turno das eleições gerais no Brasil, no próximo dia 28 de outubro. A informação é falsa.

“450 grupos de caminhoneiros avisam que se fraudarem as urnas como no primeiro turno vão parar o país”, diz o texto das publicações que somaram mais de 60.000 compartilhamentos no Facebook.

Captura de tela de uma publicação no Facebook disseminando a informação falsa, feita 26 de outubro de 2018

A informação foi divulgada por perfis, grupos e páginas que apoiam o presidenciável de extrema direita Jair Bolsonaro. O candidato, políticos do seu partido e parte do seu eleitorado sustentam a teoria de que urnas eletrônicas no primeiro turno foram fraudadas para prejudicar sua eleição. Após pesquisa em motores de busca e redes sociais, a AFP não encontrou resultados que confirmem ou mencionem a versão, excetuando-se postagens sem evidência e com conteúdo idêntico ou similar.

Contatada pela AFP, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), agremiação que teve protagonismo durante a greve dos caminhoneiros em maio deste ano, disse que nunca se expressou sobre realizar paralisações no mês de outubro, assim como “outras lideranças” do setor com que o grêmio mantém contato. Também expressou que, presentemente, a categoria não está organizada para fazer qualquer manifestação.

Contatada pela AFP, a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) disse desconhecer qualquer iniciativa do gênero.

Fraude nas urnas

Depois do primeiro turno das eleições gerais no dia 7 de outubro, diversas informações falsas foram disseminadas viralmente nas redes sociais, alegando fornecer provas de fraude eleitoral. Entre elas, a equipe de checagem da AFP desmentiu, por exemplo, um vídeo amplamente difundido que supostamente mostrava uma urna eletrônica autocompletando o número do candidato à presidência Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT).

AFP Brasil