Simpatizante de Bolsonaro hostilizado em campus universitário não era professor nem foi brutalmente espancado

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Na reta final das eleições presidenciais, circula nas redes sociais um vídeo que alega ser evidência de que um professor universitário foi espancado por militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) por vestir uma camisa de apoio ao candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro. A informação contém diversas imprecisões.

Captura de tela de uma publicação no Facebook disseminando a informação enganosa, feita 27 de outubro de 2018
 

"Professor da UFC, Universidade Federal do Ceará, vai para faculdade ministrar sua aula com a camisa do Bolsonaro e é brutalmente espancado e humilhado, chega a ser cuspido por alunos e alunas”, diz a descrição de uma publicação onde aparece o vídeo no Facebook. Outra manifesta: “Pátria educadora do PT. (Professor agredido e impedido de trabalhar pelo fato de ter Ido trabalhar com a camisa do Bolsonaro)”.

O caso não aconteceu durante as eleições de 2018, mas no dia 9 de maio de 2016. No dia seguinte, um inquérito policial foi aberto."Vários alunos foram apontados no inquérito policial, o professor que me deu um tapa na cara também já está citado. Fui à ouvidoria da Universidade Federal do Ceará, fui à Comissão de Ética fazer a denúncia desse professor, que eu vou permanecer sem dizer o nome dele para não expô-lo” (sic), disse Fontenelle à Tribuna do Ceará.

O homem não era professor universitário. Jorge Fontenelle, na época do episódio, era estudante de Letras Português-Italiano da Universidade Federal do Ceará, segundo declarou.

Não há nenhuma evidência de que os agressores fossem militantes do PT. Segundo depoimento de Fontenelle ao programa “Barra Pesada”, foram membros de uma chapa estudantil que concorria à presidência do centro acadêmico de sua faculdade.

Ele não foi “espancado brutalmente”. De acordo com as próprias declarações de Fontenelle, ele foi vítima de insultos por parte de um grupo, sofreu dois socos de uma estudante e um tapa no rosto de um professor. Um vídeo da ocasião atesta que não houve espancamento ou ferimentos graves.

Em entrevista ao mesmo jornal, Jorge, que é policial civil, disse ter abandonado o curso de Letras na UFC no semestre seguinte ao incidente. Ele candidatou-se a deputado federal nas eleições gerais de 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) e não se elegeu. Bolsonaro, também do PSL, mencionou Fontenelle em um vídeo que publicou na internet em março deste ano.