Diretora dos CDC falou sobre estudo que constatou comorbidades em vacinados mortos por covid-19

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Uma publicação com mais de 10 mil interações nas redes sociais desde 10 de janeiro de 2022, assegura que a diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Rochelle Walensky, disse que 75% das pessoas que morreram por conta da covid-19 tinham quatro ou mais comorbidades. Mas isso é enganoso. A declaração de Walensky foi retirada de uma entrevista em que ela falava sobre a efetividade das vacinas e na qual mencionou um estudo específico que constatou a presença de quatro ou mais comorbidades em cerca de 78% das pessoas imunizadas que morreram de covid-19.

“Diretora do CDC diz que 75% dos mortos pelo covid tinha ao menos 4 comorbidades”, dizem publicações no Facebook (1, 2), Instagram (1, 2), Twitter (1, 2) e em sites na internet. Algumas publicações acompanham um vídeo com apenas um trecho de uma declaração dada por Walensky em uma entrevista.

Captura de tela feita em 11 de janeiro de 2022 de uma publicação no Instagram ( . / )

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Contexto da fala

Em 7 de janeiro de 2022, a diretora dos CDC, Rochelle Walensky, concedeu uma entrevista ao programa GMA da emissora de televisão norte-americana ABC News.

Na gravação completa, Walensky falava sobre novas diretrizes para o isolamento social no país. Ao ser questionada pela entrevistadora (minuto 2:32) sobre como lidar com a covid-19, tendo em vista a possibilidade de convivência com o vírus por mais tempo e frente à efetividade das vacinas na prevenção de casos graves, a diretora citou um estudo publicado pelos CDC no mesmo 7 de janeiro.

Ela afirmou que os dados de mais de 1,2 milhão de vacinados demonstraram que 0,015% deles tiveram casos graves de covid-19 e que apenas 0,0033% morreram. “O número esmagador de mortes [por covid-19 entre pessoas imunizadas], acima de 75%, ocorreu em pessoas que tinham pelo menos quatro comorbidades”, detalhou Walensky.

Rochelle Walensky, diretora dos CDC discursa em Delaware, Estados Unidos em 8 de dezembro de 2020 ( AFP / Jim Watson)

Nesse sentido, o dado que a diretora dos CDC menciona diz respeito especificamente às pessoas vacinadas com comorbidades que morreram por covid-19 e não à totalidade de pessoas que faleceram pela doença, como afirmam usuários nas redes sociais.

Dados do estudo

A publicação mencionada por Walensky, denominada “Fatores de risco para desdobramentos graves de covid-19 entre pessoas com idade ≥ 18 anos que concluíram uma série primária de vacinação contra covid-19”, reuniu dados de 1.228.664 pessoas atendidas em 465 unidades de saúde nos Estados Unidos entre dezembro de 2020 a outubro de 2021.

De acordo com o levantamento, “todas as pessoas [vacinadas] com desdobramentos graves [decorrentes da infecção pela covid-19] tinham quatro ou mais fatores de risco e 77,8% dos que morreram tinham quatro ou mais fatores de risco”. Complicações graves causadas pela covid-19 em pessoas que completaram um ciclo vacinal, ou seja, que receberam a primeira e a segunda dose, são “raras”, segundo o estudo.

No entanto, há um “risco aumentado” para aqueles com mais de 65 anos, imunossuprimidos ou com outras comorbidades, pontua a publicação. Nesses casos, para evitar o agravamento da covid-19, os CDC indicam que sejam feitas “intervenções direcionadas, incluindo gerenciamento de doenças crônicas, precauções para reduzir a exposição, doses adicionais de vacina primária e de reforço e terapia farmacêutica eficaz”. E conclui: “aumentar a cobertura vacinal da covid-19 é uma prioridade de saúde pública”.

Uma enfermeira prepara uma dose da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19 em uma clínica de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 15 de dezembro de 2021 ( AFP / Frederic J. Brown)

Em seu site, os CDC alertam que pessoas de qualquer idade com comorbidades, tais quais câncer, doença renal crônica, diabetes, problema no coração, dentre outras, “são mais propensas a adoecer gravemente com a covid-19”. Dentre as complicações, são mencionados desde hospitalizações até óbitos.

Nesse sentido, os centros recomendam a imunização e a aplicação de doses de reforço, bem como medidas preventivas contra a covid-19, especialmente para os pacientes “mais velhos” ou que têm “condições de saúde múltiplas ou graves”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), explica em seu site que, entre os infectados pelo SARS-CoV-2 que desenvolvem sintomas, cerca de 80% se recupera da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Já aproximadamente 15% ficam gravemente doentes e necessitam de oxigênio e 5% ficam gravemente doentes e precisam de cuidados intensivos.

“As complicações que levam à morte podem incluir insuficiência respiratória, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), sepse e choque séptico, tromboembolismo e/ou falência de múltiplos órgãos, incluindo lesão do coração, fígado ou rins”, informa a organização.

Esta verificação foi realizada com base em informações científicas e oficiais sobre o novo coronavírus disponíveis na data desta publicação

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