Em vídeo, cantora Joelma fala de “sangue escuro” ao contar sequelas da covid-19, não da vacina

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Um vídeo, que supostamente mostra a cantora Joelma falando que, após a vacina contra a covid-19, seu sangue teria ficado escuro e com coágulos e ela teria sentido dores no peito, foi visualizado mais de 4 mil vezes desde, pelo menos, 10 de outubro de 2021. Mas isso é falso. Na entrevista completa de onde foi extraído o trecho viralizado, a artista relatou esses sintomas ao contar sobre sua “luta contra o covid”. A assessoria da cantora confirmou ao Checamos que ela estava se referindo às sequelas da doença, e não a efeitos colaterais da vacinação.

“Joelma relata que depois da vacina seu sangue ficou estranho, escuro e com coágulos e que ela sentiu muita dor no peito. Também conta que depois da 2a. Dose ela teve muitas reações (febre, falta de ar, etc.)”, diz uma das publicações compartilhadas no Twitter (1, 2, 3). O conteúdo também circulou no Facebook (1, 2, 3) e no Instagram.

Captura de tela feita em 24 de novembro de 2021 de uma publicação no Twitter ( . / )

No próprio vídeo viralizado, é possível observar o logo do podcast “Holofote”, da rádio FM O Dia. Uma busca no canal de YouTube do programa levou ao vídeo completo da entrevista, publicado em 23 de setembro de 2021 na plataforma.

Na gravação, a cantora é questionada sobre como adaptou sua carreira de artista tendo em vista a pandemia. Em resposta, Joelma diz que ainda não havia “entrado de cabeça [nisso] porque havia travado “uma luta contra o covid muito grande”. “E ainda estou travando”, acrescenta. Em seguida, fala sobre os exames e tratamentos médicos que tem feito, e relata os sintomas mencionados nas publicações, como sangue escuro e com coágulos.

Sobre as vacinas, a artista diz que não sentiu reação alguma após a primeira dose do imunizante, mas que após a segunda dose sentiu “febre, dor nos ossos e falta de ar”.

Em 25 de setembro de 2021, a cantora compareceu ao programa “Altas Horas”, onde também falou sobre o tratamento e os sintomas citados no trecho viralizado. Na ocasião, o apresentador Serginho Groisman comentou, aos 8 minutos e 51 segundos do episódio, que a artista estava ofegante porque “desde que começou a pandemia, ela teve consequências”.

“Eu já estava há mais de um ano, procurei seis médicos e nenhum descobria o que eu tinha (...). Eu inchava e eu perdia completamente a energia, não conseguia fazer nada. Aí (...) fui fazer uma hemoterapia, em que você tira o sangue e aplica no músculo, e eu percebi que meu sangue não estava com uma cor normal. E também estavam com dificuldade para tirar meu sangue”, contou Joelma. “Então aí descobri, há pouco tempo, que meu sangue estava coagulando, olha o perigo!”. Em nenhum momento desse depoimento a artista menciona a vacinação.

A cantora foi diagnosticada com o novo coronavírus em agosto de 2020, notícia reportada pela imprensa à época (1, 2, 3). Em 13 de agosto de 2020, em sua página oficial no Facebook, Joelma publicou uma foto sua afirmando estar bem e agradecendo a preocupação.

Ela foi vacinada com a primeira dose da vacina contra a covid-19 em 25 de junho de 2021.

Antes de ter recebido a primeira dose, porém, Joelma falou em diversas ocasiões sobre as sequelas deixadas pela doença (1, 2, 3), como inchaço e problemas de “visão, mente e pulmão”. A artista tomou a segunda dose em setembro de 2021, segundo informou sua assessoria de imprensa ao Checamos.

A equipe da cantora também classificou o vídeo viralizado como uma “fake news”. Segundo a assessoria, trata-se de uma peça de desinformação “criada e editada em cima de uma entrevista da Joelma falando sobre os sintomas e sequelas pós-covid”.

“Não tem nada a ver com a vacina. E reiteramos mais uma vez o apoio da artista à vacinação de toda a população”, acrescentou.

Um estudo chinês publicado em agosto de 2021 na revista "The Lancet" concluiu que cerca de metade dos pacientes de covid-19 que recebem alta do hospital sofrem pelo menos um sintoma persistente (o mais comum é a fadiga ou fraqueza muscular) e um em cada três ainda padece de falta de ar um ano depois de ter contraído a doença.

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