Flávio Bolsonaro lidera enquete feita em blog de caminhoneiros, não pesquisa eleitoral

Em 16 de agosto de 2026, tem início o período oficial de campanha eleitoral no Brasil. A dois meses do pleito, publicações nas redes sociais com mais de 50 mil visualizações alegam que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) lidera a corrida presidencial com 68,4% das intenções de voto. Renan Santos (Missão) teria o apoio de 20,4% dos eleitores e Lula (PT) seria preferido por 9,5%. Mas não é verdade. As publicações não mostram uma pesquisa eleitoral, mas uma enquete informal feita por um blog de caminhoneiros que não segue metodologias que validem seus resultados.

Flávio Bolsonaro Lidera as pesquisas para Presidente (...) Flávio Bolsonaro Partido Liberal (PL) 68,4%. Renan Santos Missão MBL 20,4%. Luiz Inácio Lula da Silva Partido dos Trabalhadores (PT) 9,5%”, dizem publicações no Facebook, no Instagram, no Threads, no YouTube e no TikTok.

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Captura de tela feita em 12 de agosto de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

As publicações viralizaram nas redes como se mostrassem Flávio Bolsonaro à frente dos concorrentes na corrida presidencial de 2026. Mas os números atribuídos a cada candidato não representam uma amostra da intenção de votos em âmbito nacional.

A publicação viral foi feita originalmente em 4 de agosto de 2026 por um perfil dedicado a caminhoneiros no Facebook. A página disponibilizou uma enquete online para coletar intenções de voto.

Como o AFP Checamos já mostrou, esse tipo de levantamento não tem valor científico e não pode ser considerado uma pesquisa de opinião.

Embora a página da enquete informe se tratar de um instrumento informal, sem valor científico, resultados parciais se espalharam pelas redes sociais sem qualquer aviso.

Enquete X pesquisa eleitoral

A diretora do Instituto de Pesquisa da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e fundadora da Ideafix Estudos Institucionais Suzel Figueiredo esclareceu, em entrevista à AFP em fevereiro de 2022, que enquetes online não seguem um rigor metodológico “nem cálculos estatísticos que validem seus resultados, já que não há nenhum controle amostral”.

Este controle significa a seleção de um conjunto de pessoas que apresente características como idade, sexo, escolaridade e distribuição regional que reflitam o total de eleitores a nível nacional, conforme explica o instituto de pesquisas Datafolha.

Quando a distribuição dessas características não é replicada no grupo que tem a opinião coletada, os dados tornam-se enviesados.

No caso em questão, a própria enquete informava, em 13 de agosto de 2026, que 28,1% dos votos coletados vinham de Santa Catarina, estado que tem apenas 3,8% da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pesquisas devem ter registro na Justiça Eleitoral

De acordo com a Resolução nº 23.600 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 12 de dezembro de 2019, pesquisas de opinião pública sobre as eleições no Brasil, para serem válidas, precisam ser registradas no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) até cinco dias antes da divulgação do levantamento.

A resolução define enquete — ou sondagem — como um levantamento de opiniões sem plano amostral que depende da participação espontânea dos interessados e que não utiliza método científico na sua realização.

As pesquisas de opinião mais recentes registradas junto à Justiça Eleitoral mostram Lula com uma pequena vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Em 13 de agosto de 2026, a PoderData/Aya (registro BR-06868/2026) mostrou o petista com 41% das intenções de voto no primeiro turno das eleições e o candidato do PL com 35%. Em eventual segundo turno, Lula aparece com 46% contra 45% de Flávio.

Na pesquisa CNT/MDA (registro BR-06935/2026) divulgada em 11 de agosto, Lula tem 42,4% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro tem 28,7%. Em eventual cenário de segundo turno, o petista tem 48% contra 39,1% do candidato do PL.

As pesquisas registradas junto ao TSE podem ser consultadas aqui.

Conteúdo semelhante foi checado por Estadão Verifica, Aos Fatos e Agência Lupa.

Referências

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