Autoridades espanholas negam existência de plano para substituir o dólar por moeda chinesa
- Publicado em 11 de agosto de 2026 às 21:30
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- Por Sammy HEUNG, Cristina ALONSO PASCUAL, AFP Hong Kong, AFP Espanha
- Tradução e adaptação AFP Brasil
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar romper relações comerciais com a Espanha depois de uma tensa reunião com líderes da OTAN em julho de 2026, usuários passaram a afirmar nas redes sociais que Madri anunciou um plano para substituir o uso do dólar norte-americano em negociações com a China pelo yuan, moeda chinesa. No entanto, autoridades espanholas negaram a existência do plano, e um relatório anual do Banco da Espanha indicou que o país mantém a maior parte de suas reservas internacionais em dólar.
“Abandonou o dólar. A Espanha diz que negociará com a China na moeda yuan em vez do dólar americano”, diz uma das publicações que circulam no Facebook, no Instagram, no X e no Threads.
Mensagens semelhantes circulam em inglês, chinês e turco.
As publicações passaram a circular após Trump classificar a Espanha como “um parceiro terrível na OTAN” durante a cúpula anual realizada na Turquia entre 7 e 8 de julho, em meio a uma disputa sobre os gastos militares de Madri com defesa e sua recusa em ajudar Washington na guerra contra o Irã.
Pouco depois, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que as relações com os Estados Unidos são “muito positivas”, minimizando as críticas de Trump, e acrescentou que eles tiveram “uma conversa informal” sobre futebol, na qual não houve “nenhum tipo de tensão”.
No início de março, Trump já havia ameaçado romper relações comerciais com a Espanha após Madri ter proibido que aeronaves dos EUA sobrevoassem seu espaço aéreo na guerra contra o Irã.
“Nenhuma diretriz”
A Espanha ingressou nas Comunidades Europeias — precursoras da União Europeia (UE) — em 1986 e utiliza o euro como moeda oficial desde 1999, em detrimento ao dólar ou yuan.
O Ministério da Economia, Comércio e Empresas da Espanha negou ter emitido qualquer diretriz referente a exigências cambiais para o comércio internacional.
“Não há nenhuma diretriz deste teor por parte de qualquer autoridade europeia ou nacional, nem qualquer acordo comercial da UE contém disposições a respeito da moeda de faturamento — cuja escolha fica inteiramente à critério das partes de cada contrato, de acordo com seus interesses comerciais”, informou a assessoria de imprensa do ministério à AFP em 24 de julho de 2026.
O professor Chong Tai-leung, diretor-executivo do Instituto Lau Chor Tak de Economia e Finanças Globais da Universidade Chinesa de Hong Kong, afirmou que os governos não têm autoridade sobre a moeda que as empresas utilizam em transações internacionais, uma vez que a decisão é acordada entre os operadores, prática adotada em todo o mundo.
“Se o governo está vendendo alguma coisa, ele pode escolher o que aceita, nesse caso cabe a ele”, disse o professor à AFP em 31 de julho.
Reservas cambiais da Espanha
Relatórios sobre as contas anuais do Banco da Espanha a partir de 2025 mostram que 73,9% de sua reserva internacional estão em dólar norte-americano, com apenas 1% em moeda chinesa.
Isso inclui contas correntes, depósitos, ações de fundos de investimentos, investimentos em títulos da dívida pública nas carteiras de negociação, além de títulos mantidos até o vencimento, assim como outros créditos de residentes de fora da área do euro, denominados em moeda estrangeira.
Gary Ng, economista sênior para a região da Ásia-Pacífico do Natixis Corporate and Investment Bank, disse à AFP que a importância do yuan está crescendo no que diz respeito às transações e aos investimentos relacionados à China, mas que a moeda “está longe de ameaçar” o status global do dólar ou do euro.
“É provável que o uso do yuan cresça em transações relacionadas à China, mas Pequim precisará abrir muito mais seu mercado financeiro antes de desafiar o euro e o dólar a nível global. Além do comércio, a China busca transformar o yuan em moeda de investimento e financiamento”.
O presidente chinês, Xi Jinping, defendeu, em fevereiro de 2026, que o país tenha uma “moeda forte”, que possa ser usada no comércio internacional, “em investimentos e nos mercados de câmbio, para que tenha o status de uma moeda de reserva global”.
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