Lula obteve 50% de rejeição em pesquisa de abril da Atlas, e não 85% como apontam publicações
- Publicado em 16 de julho de 2026 às 21:42
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- Por Laura ABREU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu com 50,6% de rejeição em uma pesquisa da Altas/Intel divulgada em 1º de abril de 2026. No entanto, essa porcentagem foi distorcida nas redes sociais: desde o dia 13 de julho, circula um recorte com mais de 11 mil visualizações do telejornal CNN 360º junto à alegação de que o levantamento apontou rejeição histórica de 85% do mandatário. Na realidade, essa foi a porcentagem de pessoas dentro dos 50% de rejeição que citaram a corrupção como motivo para não votar em Lula.
“Nova pesquisa traz uma rejeição histórica do Lula. 85% não votam no PT, no Lula, de maneira nenhuma. Segundo os especialistas, três fatores levaram à alta histórica de rejeição: Corrupção, Estatização e Má gestão”, dizem publicações compartilhadas no Instagram, no Facebook, no X, no Kwai e no TikTok.
Uma busca pela frase “Atlas: Bolsonaro é principal fator de rejeição a Flávio” — que aparece na tarja inferior — junto ao termo “CNN Brasil”, levou a um vídeo maior do telejornal CNN 360º no YouTube, publicado em 1° de abril de 2026.
No vídeo, um dos apresentadores afirma que uma pesquisa da Atlas/Intel levantou as raízes das rejeições de pré-candidatos à Presidência.
O recorte de um pouco mais de 4 minutos utilizado na peça de desinformação foi retirado a partir de 11 minutos e 24 segundos do vídeo.
Assim como no conteúdo viral, é possível identificar que o apresentador mostra um gráfico com as respostas para a pergunta “Por qual motivo você não votaria de jeito nenhum em Lula?”.
O número mais expressivo do gráfico é o atribuído à resposta “envolvido/conivente com corrupção” que aparece com 85,9%.
Ao final do recorte, o entrevistado Lucas Aragão, sócio-diretor da Arko Advice, reforça que o número de 85,9% “não é global” e é um percentual dentro dos que rejeitam o presidente Lula.
E é justamente essa a confusão que é promovida pelas peças de desinformação: na realidade, Lula apareceu nessa pesquisa com 50,6% de rejeição, seguido por Flávio Bolsonaro com 24%. Esses são os percentuais obtidos quando os entrevistados foram obrigados a escolher um único nome como o mais rejeitado.
Já em outra pergunta os entrevistados foram apresentados a uma lista de candidatos e precisavam responder quais as chances de votar em cada um. As possíveis respostas incluíam: “Não votaria de jeito nenhum”, “Dificilmente votaria”, “Não teria problema em votar”, “Com certeza votaria” e “Não conheço”. Nesse cenário, o nome mais rejeitado foi o do pré-candidato do Missão, Renan Santos, em quem 60% dos respondentes afirmaram que não votariam de jeito nenhum.
Para a pesquisa, foram entrevistadas 4.224 pessoas entre 16 e 23 de março de 2026. O levantamento possui 2 pontos de margem de erro.
Além do motivo da rejeição dos pré-candidatos, a pesquisa levantou a avaliação dos eleitores sobre as candidaturas até aquele momento, o posicionamento ideológico dos entrevistados e a percepção sobre diferentes personalidades políticas.
Até a publicação desta checagem, a última pesquisa divulgada em 15 de julho de 2026 pela Quaest mostrava que Lula permanecia com rejeição de 50%.
Esse conteúdo também foi verificado pelo Estadão Verifica.
O Checamos já verificou outros conteúdos sobre as eleições de 2026.
Referências
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