Reportagem do Jornal Nacional sobre 33 milhões de brasileiros com fome é de 2022, não de 2026

Em meio à pré-campanha eleitoral, usuários compartilham um trecho de uma reportagem do Jornal Nacional, com mais de 70 mil visualizações, como se a matéria mostrasse que o número de brasileiros que passam fome subiu para 33 milhões durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, a notícia foi veiculada em 2022, na gestão de Jair Bolsonaro. Segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente 6,48 milhões de brasileiros vivem em situação de fome, o menor patamar registrado desde 2004.

“Número de pessoas que passam fome no Brasil subiu para 33 milhões. Acabou pro Lula”, lê-se em um vídeo compartilhado no Facebook, no Kwai, no TikTok e no Instagram.

Na gravação, uma foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é exibida na parte inferior da tela, enquanto a jornalista da TV Globo Renata Vasconcellos afirma: "Uma pesquisa divulgada hoje revelou que o número de pessoas que passam fome no Brasil subiu para 33 milhões. O país voltou para o patamar de 30 anos atrás."

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Captura de tela feita em 13 de julho de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

Entretanto, o dado apresentado na reportagem não se refere ao governo Lula.

Por meio de uma busca por palavras-chave, o Checamos localizou a matéria original, veiculada em junho de 2022, durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A reportagem repercutiu dados divulgados pela pesquisa da rede Penssan, que mostrou que o número de brasileiros que passam fome todo dia havia crescido de 19,1 milhões em 2020 para 33,1 milhões em 2022.

A matéria destaca que a fome começou a se agravar no país ainda em 2015, em meio à piora da economia, e que a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), no início do governo Bolsonaro, contribuiu para esse cenário.

O Consea foi restaurado no início do governo Lula. De acordo com dados do IBGE levantados em 2024, a fome atinge 6,48 milhões de brasileiros atualmente, o menor nível em 20 anos.

Este conteúdo também foi verificado por Reuters e Aos Fatos.

Referências

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