Vídeos de incêndios nos Emirados Árabes Unidos são falsamente associados a ataque a bases dos EUA no Bahrein
- Publicado em 8 de julho de 2026 às 17:32
- 2 minutos de leitura
- Por AFP Oriente Médio e Norte da África
- Tradução e adaptação Agustin BAGNASCO, AFP Argentina, Caroline FARAH, AFP Brasil
O Exército iraniano lançou mísseis contra o Kuwait e o Bahrein, em 28 de junho de 2026, como resposta aos ataques aéreos dos Estados Unidos contra o Irã. Desde então, dois vídeos de incêndios têm sido compartilhados como se mostrassem uma retaliação ao bombardeio de uma frota norte-americana no Bahrein. No entanto, as imagens, visualizadas mais 11 mil vezes nas redes sociais, foram gravadas nos Emirados Árabes Unidos e mostram dois incêndios diferentes: as chamas em um mercado em 2020 e o outro em uma planta petroquímica em 2025.
“A linha vermelha foi cruzada. O Irã ataca a sede da Quinta Frota dos EUA no Bahrein com mísseis pesados” é a legenda de publicação no Facebook, no Instagram, no Threads, no TikTok e no X. Conteúdo semelhante circula no YouTube e em outros idiomas, como espanhol e árabe.
A alegação é compartilhada junto a duas imagens: à esquerda, se vê uma fumaça preta atrás de alguns contêineres cilíndricos, e à direita, uma estrutura térrea em chamas.
As tensões no Oriente Médio aumentaram depois que o Irã bombardeou o Kuwait e o Bahrein em 28 de junho, em resposta a um ataque dos Estados Unidos em seu território. Essa nova escalada ameaça as negociações destinadas a pôr fim à guerra.
Washington e Teerã acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo, acordado em um memorando de entendimento assinado em 17 de junho, relacionado ao controle do estratégico Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã durante a guerra iniciada com os ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos.
Segundo a Guarda Revolucionária Iraniana, foram destruídas “oito importantes infraestruturas do Exército dos Estados Unidos na base Ali al Salem, no Kuwait, e a base da Quinta Frota Naval, no Porto Salman, no Bahrein”.
No entanto, o vídeo viral não mostra as consequências desses ataques.
Uma busca no Google Lens pela captura da imagem exibida à esquerda da tela dos posts mostrou que ela foi publicada no Facebook, em 31 de maio de 2025, pelo canal TRT Arabi.
“As imagens mostram um grande incêndio em uma fábrica petroquímica dentro do porto de Hamriyah, no emirado de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos”, diz a legenda em árabe.
A Agência de Notícias dos Emirados (WAM) informou que, segundo as autoridades locais, o incêndio foi causado pela ignição de materiais petroquímicos.
Uma nova busca no Google Lens, dessa vez pela captura de tela das imagens à direita do vídeo viralizado, mostrou uma publicação do Facebook, feita em 6 de agosto de 2020. A legenda do vídeo indica que se tratava de um incêndio na cidade de Ajman, nos Emirados Árabes Unidos.
Uma busca no Google pelos termos “incêndio” e “Ajman” levou a reportagens de veículos nacionais (1, 2) e internacionais (1, 2), publicadas em agosto de 2020, reportando o incêndio que destruiu um mercado de alimentos a céu aberto.
A polícia da cidade também relatou o incêndio e divulgou imagens feitas no local.
Referências
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