Imagem de cachorro protegendo bebê após terremoto na Venezuela foi criada com IA

Em meio às perdas causadas pelos terremotos que atingiram a Venezuela em junho de 2026, imagens de esperança repercutem nas redes sociais, como o resgate de uma criança de três anos que ficou soterrada e foi encontrada seis dias após os sismos. Mas a imagem de um cão protegendo uma criança, visualizada mais de 240 mil vezes nas redes sociais, não é um desses casos: o conteúdo foi gerado com inteligência artificial (IA).

“Imagem de cão protegendo criança após terremoto na Venezuela comove o mundo” é a frase sobreposta à imagem no Instagram

Conteúdo semelhante circula no Facebook, no LinkedIn, no TikTok e também em outros idiomas, como espanhol e inglês.

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Captura de tela feita em 2 de julho de 2026 de uma publicação no TikTok. Símbolo de Inteligência Artificial (Ai) adicionado pela AFP (.)

Em meio à destruição deixada pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela no final de junho de 2026, histórias de esperança têm chamado a atenção. É o caso do resgate de uma criança de três anos que havia ficado soterrada e foi encontrada com vida após os sismos. O resgate é considerado uma exceção extremamente rara por ter ocorrido seis dias após os terremotos de magnitude superior a 7.  

A imprensa também noticiou o resgate de animais e outras crianças (1, 2) em meio aos escombros no país.

Mas a imagem viralizada não é real.

Uma análise do SynthID, ferramenta de detecção de IA do Google DeepMind, detectou que a imagem foi criada usando a tecnologia do Google. 

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Captura de tela feita em 2 de julho de 2026 da análise do SynthID. Símbolo de inteligência artificial (Ai) adicionado pela AFP (.)

O Checamos também submeteu a imagem para análise do Hive Moderation. A plataforma indicou 99,9% de chances da imagem ter sido gerada por inteligência artificial.

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Captura de tela feita em 2 de julho de 2026 da análise do Hive Moderation. Símbolo de inteligência artificial (Ai) adicionado pela AFP (.)

Há também inconsistências que apontam para a manipulação como a iluminação, sombras e a expressão do cachorro, avalia Rodolfo Avelino, conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e representante da área de Engenharia de Computação no Comitê Acadêmico do Insper.

Avelino também pontua que a forma como a  criança está deitada confortavelmente sobre os escombros e a textura da sua pele são indicadores de um conteúdo sintético. 

Além disso, uma busca reversa pela imagem em motores de busca leva a outros registros muito semelhantes, mas com variações na roupa e no rosto do bebê  – outro indício de que o conteúdo foi criado artificialmente. 

Algumas postagens afirmam, ainda, que o registro teria sido captado pelo fotógrafo “Reinier Neapol”. Mas o Checamos não localizou nenhum profissional com este nome. Uma busca no Google por essas palavras exibe apenas a imagem do cão com a criança.

O Checamos já verificou outras informações falsas ou enganosas sobre os terremotos na Venezuela em 2026. 

Este conteúdo também foi verificado por Aos Fatos e Estadão Verifica

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