Donald Trump não incluiu Lula e Moraes na lei Magnitsky; ministro foi sancionado entre julho e dezembro de 2025
- Publicado em 10 de junho de 2026 às 22:16
- 2 minutos de leitura
- Por Joao Pedro CAPOBIANCO, AFP Brasil
Desde o encontro entre Flávio Bolsonaro (PL) e Donald Trump na Casa Branca em 26 de maio de 2026, possíveis ações dos EUA contra o Brasil ganharam destaque nas redes sociais. Publicações que somam 240 mil visualizações passaram a alegar que Trump incluiu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o presidente Lula na lei Magnitsky. É falso. O magistrado foi alvo da sanção entre julho e dezembro de 2025, e Lula nunca foi atingido pela Magnitsky. O governo dos EUA não anunciou novas sanções contra essas autoridades brasileiras até a publicação desta verificação.
“Acabou o amor! Trump decreta Magnitsky contra Lula e Moraes”, dizem publicações no Facebook, no Instagram, no YouTube, no TikTok e no Kwai.
As postagens se baseiam em um vídeo publicado por perfis mantidos pelo vereador de Mogi das Cruzes (SP) Felipe Lintz (PL).
Em 26 de maio de 2026, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) encontrou-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.
Dois dias depois, o governo norte-americano classificou as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como grupos terroristas, medida que era defendida pelo senador.
Segundo registros da imprensa, aliados de Flávio também pediram ao governo norte-americano para que o ministro do STF Alexandre de Moraes seja novamente sancionado pela lei Magnitsky.
No entanto, ao contrário do que alegam as publicações virais, não há registro público de que Trump “decretou Magnitsky contra Lula e Moraes”.
Entre 26 de maio e 8 de junho de 2026, não houve nenhum comunicado de imprensa por parte do governo dos EUA com a informação de que Moraes ou Lula tenham sido incluídos na lista de sancionados pela lei Magnitsky.
A lista mais recente com informações sobre pessoas sancionadas, disponibilizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros em 5 de junho de 2026, não inclui os termos “Moraes” nem “Lula”.
Vídeo descontextualizado de Marco Rubio
As publicações virais que disseminam a alegação falsa sobre a inclusão de Lula e Moraes na lei Magnitsky usam um vídeo descontextualizado do Secretário de Estado Marco Rubio.
Em 2 de junho, Rubio foi à Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano para falar sobre o orçamento de 2027. Durante a fala de abertura, o Secretário afirmou que a América Latina é uma região “cheia de aliados” dos EUA, mas citou Nicarágua, Cuba, Venezuela, Brasil e Colômbia como exceções.
O trecho é usado para reforçar a alegação falsa sobre Lula e Moraes, mas em nenhum momento o Secretário de Estado mencionou o presidente ou o ministro durante o evento.
Sanção em 2025 foi anunciada pelo Departamento do Tesouro
Em 30 de julho de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que o ministro do STF Alexandre de Moraes foi incluído pelo governo dos EUA na lista de pessoas sancionadas pela lei Magnitsky.
À época, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Moraes seria responsável por “censura, prisões arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados — inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”.
A lei Magnitsky foi criada em 2012 para punir violadores de direitos humanos e pessoas envolvidas em corrupção em larga escala, mas especialistas têm criticado sua aplicação por parte do governo Donald Trump.
Além de Moraes, sua esposa — Viviane Barci de Moraes — e o Instituto Lex, ligado ao casal, também foram atingidos pelas sanções em setembro de 2025.
Em 12 de dezembro de 2025, no entanto, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a remoção das sanções contra o casal e seu instituto.
O presidente Lula nunca foi incluído na lista de pessoas sancionadas.
Referências
Copyright © AFP 2017-2026. Qualquer uso comercial deste conteúdo requer uma assinatura. Clique aqui para saber mais.
