É falso que Polícia Federal tenha concluído que não houve crime em trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro

A revelação de uma negociação milionária entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo portal The Intercept Brasil, em maio de 2026, levantou suspeitas sobre o destino do dinheiro e possíveis trocas de vantagens. Em meio à repercussão, publicações com mais de 250 mil interações alegam que a Polícia Federal concluiu que não houve crime no caso. Isso é falso: a PF ainda investiga se os recursos negociados foram usados, de fato, para a produção do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro e confirmou à AFP não ter emitido tal conclusão. 

“Polícia Federal conclui que troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro não apresenta indícios de crime”, lê-se em conteúdos que circulam no Instagram, no Facebook, no X, no Threads, no TikTok e no YouTube

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Captura de tela feita em 19 de maio de 2026 de uma publicação no Facebook (.)

Em 13 de maio de 2026, o portal The Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enviou mensagens cobrando repasses financeiros de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, para o financiamento da produção do filme biográfico de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o portal, as mensagens, que incluem um áudio, mostram que o senador negociou cerca de R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção e que foram transferidos, efetivamente, R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.

Vorcaro está preso desde março de 2026 sob acusação de atrapalhar as investigações da Operação Compliance Zero, que tem como alvo uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master.

Após a revelação do Intercept, a imprensa noticiou que a Polícia Federal deve abrir uma investigação para apurar os pagamentos cobrados por Flávio Bolsonaro e se eles foram, de fato, usados para a produção do filme.  

No entanto, é falso que a PF tenha concluído que não houve crime na troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. 

Sem registros de conclusão da PF

Uma busca no Google pelos termos “Vorcaro”, “Flávio Bolsonaro” e “Polícia Federal” levou apenas a notícias sobre a abertura da investigação e não a informações sobre a suposta conclusão da PF (1, 2, 3). 

Segundo as reportagens, publicadas um dia após a revelação do Intercept, uma das linhas de investigação busca verificar se os recursos aportados pelo Master foram usados para custear as despesas de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.  

O deputado cassado está nos Estados Unidos desde o início de 2025 e responde processo por tentar interferir na Justiça brasileira. Ele também teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem do Intercept revelou que uma parte dos pagamentos negociados por Flávio Bolsonaro foi repassada via empresa Entre Investimentos — apontada como intermediária do Master — ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e que tem como agente legal o escritório de um advogado de Eduardo Bolsonaro. 

O próprio senador confirmou que o dinheiro aportado por Vorcaro foi para esse fundo nos EUA, mas negou que o repasse tenha sido usado para custear despesas do irmão. 

Até a publicação dessa checagem, não há informações públicas de supostas conclusões da PF sobre essa investigação.  

Buscas no site da PF pelos termos Vorcaroe Flávio Bolsonaronão retornaram com comunicados oficiais de conclusões do caso.

Em contato com o AFP Checamos em 19 de maio de 2026, a assessoria da Polícia Federal afirmou que “a informação não procede”

Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos

O Checamos verificou outros conteúdos sobre o repasse de dinheiro para o filme de Bolsonaro (1, 2). 

Referências 

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