É falso que Polícia Federal tenha concluído que não houve crime em trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
- Publicado em 21 de maio de 2026 às 17:20
- 2 minutos de leitura
- Por Laura ABREU, AFP Brasil
A revelação de uma negociação milionária entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo portal The Intercept Brasil, em maio de 2026, levantou suspeitas sobre o destino do dinheiro e possíveis trocas de vantagens. Em meio à repercussão, publicações com mais de 250 mil interações alegam que a Polícia Federal concluiu que não houve crime no caso. Isso é falso: a PF ainda investiga se os recursos negociados foram usados, de fato, para a produção do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro e confirmou à AFP não ter emitido tal conclusão.
“Polícia Federal conclui que troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro não apresenta indícios de crime”, lê-se em conteúdos que circulam no Instagram, no Facebook, no X, no Threads, no TikTok e no YouTube.
Em 13 de maio de 2026, o portal The Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enviou mensagens cobrando repasses financeiros de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, para o financiamento da produção do filme biográfico de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o portal, as mensagens, que incluem um áudio, mostram que o senador negociou cerca de R$ 134 milhões com Vorcaro para a produção e que foram transferidos, efetivamente, R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025.
Vorcaro está preso desde março de 2026 sob acusação de atrapalhar as investigações da Operação Compliance Zero, que tem como alvo uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master.
Após a revelação do Intercept, a imprensa noticiou que a Polícia Federal deve abrir uma investigação para apurar os pagamentos cobrados por Flávio Bolsonaro e se eles foram, de fato, usados para a produção do filme.
No entanto, é falso que a PF tenha concluído que não houve crime na troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro.
Sem registros de conclusão da PF
Uma busca no Google pelos termos “Vorcaro”, “Flávio Bolsonaro” e “Polícia Federal” levou apenas a notícias sobre a abertura da investigação e não a informações sobre a suposta conclusão da PF (1, 2, 3).
Segundo as reportagens, publicadas um dia após a revelação do Intercept, uma das linhas de investigação busca verificar se os recursos aportados pelo Master foram usados para custear as despesas de outro filho do ex-presidente, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O deputado cassado está nos Estados Unidos desde o início de 2025 e responde processo por tentar interferir na Justiça brasileira. Ele também teve seus bens e contas bloqueados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A reportagem do Intercept revelou que uma parte dos pagamentos negociados por Flávio Bolsonaro foi repassada via empresa Entre Investimentos — apontada como intermediária do Master — ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e que tem como agente legal o escritório de um advogado de Eduardo Bolsonaro.
O próprio senador confirmou que o dinheiro aportado por Vorcaro foi para esse fundo nos EUA, mas negou que o repasse tenha sido usado para custear despesas do irmão.
Até a publicação dessa checagem, não há informações públicas de supostas conclusões da PF sobre essa investigação.
Buscas no site da PF pelos termos “Vorcaro” e “Flávio Bolsonaro” não retornaram com comunicados oficiais de conclusões do caso.
Em contato com o AFP Checamos em 19 de maio de 2026, a assessoria da Polícia Federal afirmou que “a informação não procede”.
Esse conteúdo também foi verificado por Aos Fatos.
O Checamos verificou outros conteúdos sobre o repasse de dinheiro para o filme de Bolsonaro (1, 2).
Referências
- Notícias sobre a abertura de investigação da PF (1, 2)
- Reportagem do The Intercept Brasil
- Buscas feitas no site da PF (1, 2)
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