Bahia não confirmou 38 casos de mpox após o Carnaval em fevereiro de 2026

  • Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 19:39
  • 2 minutos de leitura
  • Por AFP Brasil

O Brasil registrou 88 casos de mpox até fevereiro de 2026, com predominância de quadros leves ou moderados, de acordo com o Ministério da Saúde. Neste contexto, publicações visualizadas mais de 27 mil vezes nas redes sociais afirmam que o estado da Bahia registrou 38 casos da doença após o Carnaval, atribuindo a suposta concentração de infecções às festividades. Isso é falso: a Secretaria de Saúde da Bahia afirmou à AFP que, até 23 de fevereiro de 2026, foi registrado um caso da doença no estado de uma pessoa vinda de Osasco, em São Paulo. 

“Bahia confirma 38 casos de Mpox e Salvador concentra maioria dos registros”, afirma publicação no Facebook, no Instagram, no TikTok e no Kwai

A alegação é compartilhada junto a foto de um trio elétrico com a frase “Carnaval Bahia” ao lado de imagens de erupções cutâneas. Algumas postagens acrescentam a pergunta: “Valeu a pena?”.

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Captura de tela feita em 20 de fevereiro de 2026 de uma publicação no TikTok (.)

Antes conhecida como varíola dos macacos, a mpox é uma doença infecciosa causada por um vírus da família poxviridae, que inclui a varíola comum.

A doença foi detectada pela primeira vez em humanos em 1970 e circulou principalmente em países da África Central e Ocidental. Pode ser transmitida de pessoa para pessoa por contato próximo e, ocasionalmente, de animais para humanos.

Segundo o Ministério da Saúde, febre e erupções cutâneas são alguns dos sintomas da enfermidade. O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da mpox (período de incubação) é tipicamente de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias.

Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou (1, 2) uma emergência de saúde pública global devido a um aumento de casos na República Democrática do Congo e em outros países da África. Em setembro de 2025, a OMS anunciou que a mpox deixou de ser uma emergência de saúde pública internacional. Esse ano, novos casos de mpox foram registrados no Brasil. 

Mas não é verdade que autoridades sanitárias tenham confirmado 38 casos de mpox em Salvador, na Bahia, até o momento. 

Uma busca no Google pelos termos “mpox”, “Bahia” e “38 casos” exibiu uma publicação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), feita em 18 de fevereiro de 2026, desmentindo o conteúdo viralizado.

À AFP, a Sesab, afirmou em 23 de fevereiro de 2026, que foram notificados 21 casos “como suspeitos de mpox na Bahia em 2026”

Após a conclusão de etapas do fluxo laboratorial confirmatório e da investigação epidemiológica, 12 casos foram descartados, oito casos estavam sob investigação e um caso de mpox foi confirmado em Salvador. 

A Sesab explicou ao Checamos que o caso registrado como mpox no estado baiano foi classificado como “importado” de uma pessoa vinda de Osasco, São Paulo. “O paciente já chegou à Bahia com sintomas e apontou São Paulo como provável local de contaminação”, afirmou. 

O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) da Bahia “já solicitou ao Ministério da Saúde a retificação do estado de notificação para São Paulo, permanecendo na Bahia o registro do atendimento assistencial realizado em Salvador”, afirmou a Sesab. 

Casos no Brasil em 2026

Ao Checamos, o Ministério da Saúde informou em 24 de fevereiro de 2026 que o Brasil “registrou um total de 88 casos confirmados de mpox, com predominância de quadros leves ou moderados, sem registro de óbitos”

Segundo a pasta, os casos foram registrados em São Paulo (62), Rio de Janeiro (15), Distrito Federal (1), Rondônia (4), Minas Gerais (3), Paraná (1) e Rio Grande do Sul (2). Em 2025, ainda segundo o Ministério, foram registrados no país 1.079 casos e dois óbitos.

Este conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos

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