Vídeo de sessão no Parlamento dinamarquês em 2019 circula como se mostrasse parlamentares rindo de Trump em 2026
- Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 19:47
- 3 minutos de leitura
- Por AFP Indonésia
- Tradução e adaptação AFP Brasil
Em janeiro de 2026, o presidente norte-americano Donald Trump questionou o direito da Dinamarca sobre a Groenlândia, dizendo que “não está mais interessado em pensar na paz” após perder o Prêmio Nobel. Nesse contexto, um vídeo foi visualizado mais de 420 mil vezes nas redes sociais como se mostrasse uma sessão em que a primeira-ministra dinamarquesa e outros deputados supostamente ridicularizam as pretensões de Trump sobre a Dinamarca. Mas o registro é de 2019, quando os parlamentares riram sobre a compra de animais de circo pelo governo dinamarquês.
“A exigência bizarra de Trump deixa a Dinamarca perplexa e provoca risos no Parlamento! O presidente dos EUA, Donald Trump, deixou muitos perplexos ao sugerir que deseja assumir o controle da Dinamarca, supostamente por não ter recebido um Prêmio Nobel”, dizem mensagens compartilhando a sequência viral no Facebook e no Instagram.
O registro viral mostra a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, rindo junto com outros deputados da tribuna do Parlamento Dinarmarquês.
Publicações semelhantes circulam em inglês, indonésio, italiano, polonês, espanhol e alemão.
A postagem em indonésio repercute uma mensagem de texto enviada por Trump ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, em que questionava o controle da Dinamarca sobre a Groenlândia.
Na mesma mensagem — tornada pública em 19 de janeiro — o mandatário também afirmou que não se sente mais obrigado “a pensar exclusivamente na paz” após ter perdido o prêmio Nobel da Paz, enquanto intensifica sua campanha para assumir o controle da ilha do Ártico.
Por diversas vezes, Trump insistiu que “merecia” o prêmio Nobel da Paz por seu papel na resolução de numerosos conflitos — algo que muitos especialistas já tinham avaliado como pouco provável.
O comitê do Nobel concedeu o prêmio em 2025 para Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, que posteriormente o ofereceu como um presente a Trump durante uma visita à Casa Branca em janeiro de 2026.
O presidente norte-americano intensificou sua pressão para obter o controle da Groenlândia argumentando se tratar de um território crucial para a segurança nacional dos EUA. Posteriormente, Trump recuou ao dizer que havia conseguido um “acordo preliminar” com o presidente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutteo, para garantir uma maior influência norte-americana na organização.
Mas o registro viral é de 2019 e não tem relação com as atuais propostas de Trump.
Uma busca reversa por fragmentos da sequência viral, junto a uma pesquisa por palavras-chave no Google, levou a uma gravação semelhante publicada pela conta oficial do Facebook da Embaixada da Dinamarca na Polônia, em 11 de outubro de 2019.
“Mette Frederiksen fala sobre a compra de elefantes de circos pelo Estado”, diz a mensagem acompanhada do vídeo.
Um jornalista da AFP que fala dinamarquês explicou que o vídeo mostra Frederiksen contando sobre como o governo acabou comprando um camelo, além de quatro elefantes que inicialmente planejava comprar. Em nenhum momento ela mencionou Donald Trump.
O vídeo publicado pela conta da Embaixada dinamarquesa também contém legendas em inglês, que traduzem a fala da primeira-ministra do país afirmando que o governo comprou o camelo depois de descobrir que ele era “o melhor amigo” de um dos elefantes.
A Euronews, uma rede de televisão pan-europeia, publicou uma reportagem sobre o incidente cômico em 10 de outubro de 2019.
“A Primeira-Ministra da Dinamarca Mette Frederiksen caiu na gargalhada ao fazer um discurso em uma sessão parlamentar em 3 de outubro”, diz a manchete.
A rede de televisão norte-americana NBC News World também noticiou o caso, enquanto a Danish Broadcasting Corporation afirmou que o governo dinamarquês comprou os animais para um circo que havia perdido a permissão para mantê-los.
A mesma sequência já foi usada associada falsamente a outras alegações, já verificadas pela equipe de checagem da AFP em inglês (1, 2).
Referências
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