Os bombardeios na Venezuela e a captura de Maduro desencadeiam desinformação nas redes sociais
- Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 23:03
- Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 20:47
- 4 minutos de leitura
- Por AFP Colômbia
- Tradução e adaptação AFP Brasil
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças especiais dos Estados Unidos na madrugada de 3 de janeiro de 2026, em meio a bombardeios que surpreenderam os moradores da capital Caracas. Após a operação, imagens falsamente atribuídas à ação ou à reação da população circularam nas redes sociais, além de uma foto do líder venezuelano capturado produzida com inteligência artificial (IA). A seguir, um compilado dos conteúdos verificados pela AFP.
Os conteúdos viralizados começaram a ser compartilhados após Nicolás Maduro ser capturado, em 3 de janeiro de 2026, pelos Estados Unidos junto com sua esposa, Cilia Flores. A operação norte-americana envolveu bombardeios em vários pontos da Venezuela.
Após a operação, ainda em 3 de janeiro, Trump afirmou que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela até que seja possível uma transição política. Um dia depois, o mandatário norte-americano insistiu na afirmação, mesmo após seu secretário de Estado, Marco Rubio, ter negado que o país teria papel direto no comando da Venezuela.
Maduro foi levado nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a um tribunal de Nova York, para sua primeira audiência após ter sido capturado em Caracas. Perante o tribunal, Maduro se declarou inocente das acusações enfrentadas, relacionadas principalmente ao tráfico de drogas.
Foto criada com IA
Após a repercussão da operação que levou à captura do líder venezuelano, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e que teve seu mandato cassado em dezembro de 2025, e o também deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilharam (1, 2) no X a imagem de Maduro supostamente sendo escoltado pelas forças de segurança norte-americanas. A imagem também circulou no Facebook, no Threads, no Instagram, no TikTok e no Kwai.
Na imagem, é possível ver as palavras “Guarimba modo guardia”. Uma busca por esses termos levou a uma transmissão feita no Youtube pelo canal “Bowery Newsroom - Guarimba Digital” em 3 de janeiro de 2026. Na transmissão, o apresentador do canal diz, em espanhol, que essa seria a “primeira foto” de Nicolás Maduro capturado.
A imagem exibida na transmissão também foi compartilhada em diversas publicações em espanhol (1, 2).
O Checamos submeteu a imagem à ferramenta de detecção IA Hive Moderation. A plataforma indicou uma chance de 71,7% de o conteúdo ter sido gerado com IA.
O Checamos também submeteu o conteúdo à análise do SynthID Detector, ferramenta que identifica marcas d’água do programa de inteligência artificial do Google. De acordo com a ferramenta, a imagem “contém sinais de ter sido editada ou gerada, pelo menos em parte, com ferramentas de inteligência artificial da Google”.
Além disso, não há qualquer informação oficial da Casa Branca ou postagem semelhante feita por Trump feita na Truth Social, rede social criada pelo mandatário norte-americano e usada por ele para fazer anúncios, sobre a suposta imagem que circula nas redes. Na imagem divulgada por Trump para anunciar a captura de Maduro, o líder venezuelano aparece com roupas diferentes das exibidas nos posts viralizados.
Maduro foi capturado pela Delta Force, tropa de elite do exército norte-americano, não pela Administração de Repressão às Drogas (DEA, na sigla em inglês), como sugere o conteúdo compartilhado nas redes sociais. Há registros da imprensa (1, 2, 3) do presidente deposto sendo conduzido por agentes da DEA ao desembarcar nos Estados Unidos – mas as vestimentas dos agentes também diferem do registro viral.
Um atentado em Israel
Após o bombardeio na Venezuela, também foi compartilhado um vídeo de um atentado noturno, supostamente perto do Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica.
A alegação circula no X e no Instagram (1, 2).
Uma pesquisa reversa de imagens no Google mostrou que o mesmo vídeo foi publicado pela primeira vez em 1º de outubro de 2024, atribuído a um ataque do Irã contra Israel (1, 2, 3).
Naquele dia, o Irã disparou quase 200 mísseis contra Israel, em represália à morte de Hassan Nasrallah, líder do grupo xiita libanês Hezbollah, e de Ismail Haniyeh, líder do Hamas morto em 31 de julho de 2024 em Teerã.
Estátua derrubada em 2024
Neste contexto, também foi compartilhado um vídeo em que dezenas de pessoas derrubam a estátua do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, que governou o país de 1999 a 2013, quando morreu em decorrência de um câncer e foi sucedido por Maduro.
De acordo com as mensagens, visualizadas mais de 60 mil vezes nas redes sociais e compartilhadas no Facebook, no Instagram e no Kwai, a cena teria sido registrada após a ação norte-americana que capturou Maduro. Alguns posts sugerem que a estátua seria de Maduro.
No entanto, uma busca reversa no Google mostrou as mesmas imagens, publicadas pela primeira vez em 29 de julho de 2024, durante protestos em Calabozo, no estado venezuelano de Guárico.
Na ocasião, manifestantes derrubaram diversas estátuas no país, em rejeição à proclamação de Maduro como vencedor das eleições de 28 de julho daquele ano.
Referências
- Post de Trump no Truth Social
- Publicações do ataque de Irã a Israel (1, 2, 3)
- Publicação de 29 de julho de 2024 que mostra derrubada da estátua de Chávez
6 de janeiro de 2026 Atualiza metadados
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