Suposta declaração de Putin sobre Bolsonaro é falsa e foi retirada de página de sátira
- Publicado em 28 de novembro de 2025 às 20:53
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- Por AFP Brasil
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O ex-presidente Jair Bolsonaro passou a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado três dias após ser decretada sua prisão preventiva, em 22 de novembro de 2025. Desde então, circula nas redes sociais uma suposta declaração do presidente russo Vladimir Putin, sobre “golpistas e traidores”, em resposta à detenção. Mas não é verdade que Putin tenha dito que, na Rússia, eles seriam “executados”, como alegam publicações com mais de 130 mil interações. A suposta reação foi retirada de uma página de sátiras e não há registro de falas de Putin sobre a prisão de Bolsonaro.
“Presidente Putin sobre a prisão de Bolsonaro: ‘O Brasil está lidando da forma deles, na Rússia, golpistas e traidores são executados”, lê-se em publicações no Instagram, no Facebook, no Threads, no X e no TikTok.
O conteúdo começou a circular em meio à repercussão da prisão preventiva de Bolsonaro, decretada em 22 de novembro por risco de fuga após uma tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.
Três dias depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que o julgamento do processo por tentativa de golpe de Estado transitou em julgado e Bolsonaro passou a cumprir a sua pena de 27 anos e 3 meses.
Mas a suposta declaração de Putin não é autêntica.
Uma busca no Google com as palavras “Putin”, “Bolsonaro” e “prisão” não levou a registros da imprensa sobre supostas declarações do mandatário russo sobre a detenção do ex-presidente.
Outra busca nas redes sociais do chefe do Kremlin (1, 2) tampouco identificou declarações do gênero.
A publicação mais antiga com a suposta declaração encontrada pelo Checamos foi feita no X por uma conta chamada “Na Mira do Repórter” em 23 de novembro de 2025. Essa publicação, inclusive, é a mesma que ilustra algumas peças de desinformação.
Na descrição da página do autor, é informado se tratar de um perfil “isento da verdade” que publica “sátiras políticas humorísticas”.
Em novembro de 2024, o Comprova, projeto de verificação do qual a AFP faz parte, checou uma alegação similar à agora viralizada que tinha como origem o mesmo perfil.
À época, Bolsonaro havia sido indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado em 2022.
Esse conteúdo também foi verificado por UOL Confere, Reuters e Agência Lupa.
O Checamos verificou outros conteúdos sobre a prisão de Bolsonaro (1, 2, 3)
