Reportagem sobre bloqueio em rodovia em apoio a Bolsonaro é de 2022, e não após a prisão do ex-presidente
- Publicado em 28 de novembro de 2025 às 20:17
- 3 minutos de leitura
- Por AFP Brasil
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Conteúdos falsamente associados com a detenção de Jair Bolsonaro são compartilhados desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou, em 22 de novembro de 2025, a prisão preventiva do ex-presidente por danificar sua tornozeleira eletrônica. Com o fim do processo em que Bolsonaro é réu por tentativa de golpe de Estado, no dia 25, a detenção passou a ser definitiva. Nesse contexto, posts visualizados mais de 96 mil vezes compartilham uma reportagem sobre um protesto de caminhoneiros, sugerindo que o fato teria acontecido em resposta à prisão do ex-mandatário. Mas a notícia é de 2022.
“Atenção. Tropa de choque para conter esta paralisação que estão fazendo para Bolsonaro. Multa para quem estiver participando da paralisação”, é a frase sobreposta ao vídeo no Facebook, no Threads, no TikTok, no Kwai e no X.
A alegação é compartilhada junto a um vídeo do programa Balanço Geral da Record. O apresentador Reinaldo Gottino diz: “Atenção: a tropa de choque está a caminho da Castello Branco, rodovia Castello Branco, que liga São Paulo ao interior”.
Na sequência, a repórter Beatriz Casadei informa que a rodovia Castello Branco é uma das mais afetadas pela “interdição dos caminhoneiros” e que a tropa de choque “acaba de chegar para conter ou tentar dispersar esses manifestantes”.
O conteúdo viralizado começou a circular após Bolsonaro ser preso preventivamente, em 22 de novembro de 2025, por violar a sua tornozeleira eletrônica com uma solda.
Três dias depois, o STF concluiu que o processo no qual o ex-presidente e outros sete acusados são réus por tentativa de golpe de Estado transitou em julgado — ou seja, que não há mais possibilidade de recursos. Com isso, Bolsonaro passou a estar preso definitivamente.
Desde então, o ex-mandatário cumpre a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde já estava detido desde o dia 22.
A prisão de Bolsonaro gerou comemorações e protestos pelo país, mas o vídeo viralizado foi registrado em outro contexto.
Vídeo de 2022
Uma pesquisa por “Castello Branco” no canal do YouTube do programa Balanço Geral exibiu a íntegra da reportagem, publicada em 1º de novembro de 2022, sob o título: “Tropa de choque tenta liberar Castello Branco nesta terça-feira”.
“Mais um dia de protestos e rodovias bloqueadas pelo Brasil acontece nesta terça-feira (1º). No último balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal, 271 rodovias federais estão com bloqueios. Em alguns pontos já teve confusão entre policiais e os manifestantes. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, reforçou que a Polícia Militar dos estados pode desobstruir as estradas bloqueadas e identificar, multar e prender os responsáveis por esses bloqueios”, informa a legenda do vídeo.
À época, a reportagem informava sobre uma paralisação de caminhoneiros realizada após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o seu oponente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Na ocasião, a AFP e outros veículos (1, 2) da imprensa noticiaram o bloqueio de estradas feito por apoiadores de Bolsonaro como forma de protesto contra o resultado das urnas.
A reportagem do Balanço Geral noticiava a obstrução da rodovia Castello Branco, em São Paulo. Na mesma data, o governo paulista enviou a tropa de choque da Polícia Militar para retirar os manifestantes que bloqueavam as vias no estado (1, 2).
O AFP Checamos não localizou registros na imprensa em novembro de 2025 de paralisação de caminhoneiros nas estradas paulistas em apoio a Bolsonaro.
Ao Checamos, a Polícia Rodoviária Federal em São Paulo informou, em 27 de novembro de 2025, que “nada foi detectado nesse sentido em rodovias federais de São Paulo”.
Em 27 de novembro, o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, foi contatado pelo AFP Checamos para desmentir outra alegação semelhante, que mencionava uma possível greve da categoria em protesto à prisão de Bolsonaro. Segundo Landim, embora os caminhoneiros não descartem uma paralisação, o movimento seria motivado por pautas do segmento de transporte rodoviário, e não por motivações políticas.
A AFP já verificou outros conteúdos associados falsamente com a prisão de Bolsonaro (1, 2, 3).
Este conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos.
